CPI EQUATORIAL

CPI: representantes empresariais do RS apontam falhas na CEEE Equatorial

Reunião da CPI da CEEE Equatorial e RGE ouviu dirigentes da Fiergs e da Federasul

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Reunião da CPI da CEEE Equatorial e RGE aconteceu nesta segunda-feira (6) | Crédito: Foto: Raul Pereira / ALRS

A CPI da CEEE Equatorial e RGE ouviu nesta segunda-feira (6) dirigentes de duas das principais entidades empresariais do Rio Grande do Sul, que relataram os impactos enfrentados pelo setor devido aos problemas de fornecimento de energia elétrica no estado. Representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) reconheceram a necessidade de melhorar a qualidade e o atendimento dos serviços prestados pela CEEE Equatorial.

Durante a reunião na Assembleia Legislativa, o presidente da CPI, deputado estadual Miguel Rossetto (PT), destacou a importância da investigação sobre as recorrentes falhas no fornecimento de energia elétrica. Além do descaso da CEEE Equatorial com os consumidores, tema recorrente nos depoimentos ouvidos pela Comissão, Rossetto destacou os problemas enfrentados pelos empresários gaúchos.

“Quando um empreendedor, um lojista, um cara do mercado, quando um prédio, uma edificação em Porto Alegre apresenta, anuncia que tem gerador próprio, isso é um fracasso absoluto de um sistema de distribuição. Chamo a atenção da gravidade, da urgência de tempo para que o nosso Estado, uma parte importante do Estado, tenha uma oferta de energia e um padrão básico. Isso nos preocupa muito”, ressaltou Rossetto.

Coordenador do GT Energia da Fiergs, Ricardo Pigatto lembrou que a entidade representa mais de 52 mil industriais e defende as concessões, destacando que a qualidade do serviço deve ser assegurada em todo o território. “A Fiergs é defensora das concessões, dos bons serviços e da fiscalização. Nossa preocupação é com a qualidade da entrega, ou seja, com a garantia de estabilidade, tensão e frequência dentro dos parâmetros”, afirmou.

Coordenador do GT Energia da Fiergs, Ricardo Pigatto – Foto: Raul Pereira / ALRS

Pigatto cobrou melhorias na infraestrutura, especialmente na instalação de transformadores, cabeamento e capacitores. Ele avaliou que, embora não haja dificuldade de geração, é necessário reforçar as redes para garantir energia com melhor qualidade. “A indústria ainda padece em algumas pontas do sistema da qualidade da energia que é entregue. Isso tem que ser resolvido”, frisou.

Ele apontou os prejuízos causados por interrupções de energia que paralisam linhas de produção, mas ressaltou que as reclamações dos associados diminuíram no último período. “Nem todos os problemas são de responsabilidade das distribuidoras, mas são elas que fazem a interface na linha de frente com o consumidor”, apontou.

O vice-presidente regional da Federasul, Valdir Mattos, afirmou que a entidade recebe solicitações de empresas para intervir junto às concessionárias a fim de melhorar o fornecimento de energia e reduzir as interrupções. Conforme Mattos, as constantes quedas de energia provocam prejuízos ao setor.

Vice-presidente regional da Federasul, Valdir Mattos – Foto: Raul Pereira / ALRS

Mattos considerou que a RGE realizou investimentos que contribuíram para uma percepção mais positiva do serviço, mas avaliou que a recuperação da CEEE Equatorial será mais demorada. Para ele, a empresa “assumiu um ativo que estava na UTI e, agora, está sendo levado para a sala de recuperação, onde deverá permanecer por mais um tempo”.

Conforme Mattos, 70% das redes da empresa estão localizadas em áreas rurais e estavam bastante danificadas. “Ao longo do tempo foi possível perceber grande dificuldade. Um ponto importante, a qualidade do atendimento, ainda que tenha interrupções, é quando a gente não consegue ter retorno de quanto tempo vamos ficar com energia interrompida. É muito ruim. Esse é o ponto de comunicação, pois as falhas persistem sistematicamente, não sei se pela abrangência da área de concessão. Isso incomoda o consumidor”, afirmou.

Participaram da reunião os deputados Aloísio Classmann (União), Capitão Martim (Republicanos), Marcus Vinícius (PP), Luciano Silveira (MDB), Airton Artus (PDT), Issur Koch (PP), Professor Bonatto (PSDB), Elton Weber (PSB) e Laura Sito (PT), além do presidente da CPI.

Em setembro, a comissão já havia ouvido representantes de trabalhadores e órgãos de fiscalização. Na próxima semana, devem ser recebidas lideranças de entidades do meio rural: Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS) e Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

A CPI também confirmou a realização de novas audiências públicas. Após reuniões em Porto Alegre, Osório e Rio Grande, as próximas serão realizadas em Caxias do Sul, em 16 de outubro, Erechim, em 30 de outubro, e Santana do Livramento, em 6 de novembro.

Reunião com moradores da Capital

Ainda na segunda-feira, o presidente da CPI, deputado Rossetto, recebeu uma comitiva de moradores do bairro Sarandi, em Porto Alegre, que denunciou uma ação de despejo a pedido da CEEE Equatorial. A empresa solicitou a retirada de 28 famílias que vivem há quase 50 anos nas Vilas Nossa Senhora Aparecida e São Borja.

“A nossa comunidade ainda está se reconstruindo após a enchente do ano passado. Acionamos a Defensoria Pública, que já está trabalhando no caso, e procuramos o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), que disse não estar informado do assunto. Nossa luta é para permanecer lá, onde temos laços familiares e sociais há muitos anos”, afirmou a representante da Associação dos Moradores da Nossa Senhora Aparecida, Nelsa Nespolo.

Rossetto, Presidente da CPI da CEEE e RGE, recebeu moradores do Sarandi ameaçados de despejo – Foto: Greice Nichele

De acordo com a CEEE Equatorial, são cerca de 1,4 mil famílias moradoras na área onde passa uma linha de alta tensão. Mas na mesma região, conforme os moradores, há empresas, comércios e até condomínio do Minha Casa Minha Vida sendo construído com autorização da prefeitura de Porto Alegre.

“Recebemos com perplexidade e indignação o tratamento que está sendo dado a estas famílias. E nos causa estranhamento essa ação de despejo em um local onde há autorização para construção de um condomínio para mais de 500 famílias. Esta situação está muito mal contada”, avaliou Rossetto.

O deputado informou que entrará em contato com a Defensoria Pública para avaliar possíveis medidas. Segundo ele, a CPI acompanhará o caso e exigirá transparência e informações sobre a ação. “A Equatorial não pode entrar dentro da cidade de forma irregular, sem autorização e acompanhamento da prefeitura. Temos várias denúncias nesse sentido na CPI”, disse Rossetto.

Editado por: Sul 21
Conteúdo originalmente publicado em: Sul21

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