JUSTIÇA TRIBUTÁRIA

‘Não é contra mim, é contra o povo’, diz Lula sobre rejeição da taxação BBB

Em mais uma queda de braço com o Planalto, centrão ameaça votar contra MP que taxa bets, bancos e bilionários

Para Lula, a MP dá mais um passo para que os ricos paguem o que nunca pagaram | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

No encerramento de uma cerimônia no Palácio do Planalto de sanção do programa Luz de Todos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse esperar que o Congresso “dê uma demonstração de maturidade” e aprove a Medida Provisória (MP) 1303, que taxa bets, bancos e bilionários que hoje não pagam impostos. A MP vence nesta quarta-feira (8) e há um movimento de parlamentares da centro-direita para barrar a proposta ou, no mínimo, desidratá-la. 

“Essa medida, ela é muito importante porque ela dá um passo adiante para fazer com que os ricos paguem, coisa que eles nunca pagaram. Então, se um trabalhador comum recebe o seu salário no final do mês, ele paga 27% de imposto de renda, você, jornalista, paga 27% imposto de renda. Não é normal, até porque os banqueiros não querem pagar nem 18%”, disse o presidente a um grupo de jornalistas.

“Na verdade, quando algumas pessoas pensam pequeno e dizem: ‘Ah, não vamos votar porque isso vai favorecer o Lula’, não é o Lula que vai ganhar. Na verdade, eles estão prejudicando o povo”, afirmou o chefe do Executivo. “Se eles não quiserem votar agora, eles estão votando contra os interesses do povo brasileiro e não contra o Lula”, completou.

Por outro lado, o presidente afirmou que é “uma bobagem” misturar a pauta eleitoral com os interesses da maioria do povo brasileiro. 

“Bobagem de colocar isso como questão eleitoral. As coisas são feitas porque tem o momento adequado para acontecer as coisas. Poderia ter sido votado uns três meses antes, quatro meses antes, cinco meses antes. Não foi votado. Então quem define o prazo de votação não é o presidente da República, é o Congresso Nacional”, declarou. “Se alguém quer misturar isso com eleição, eu, sinceramente, só posso dizer que é uma pobreza de espírito extraordinária”, adicionou Lula, ponderando que o Legislativo tem aprovado medidas importantes, enviadas pelo Executivo.  

“Quando você manda uma medida para fora para o Congresso, o desejo é que ela seja aprovada. Se ela não for aprovada, vamos ver como é que nós vamos fazer. Eu, sinceramente, acho que o Congresso Nacional, que tem nos ajudado muito – eu não posso me queixar do Congresso Nacional, porque muitas das coisas que nós fizemos – eles têm votado, tem conseguido aprovar muitas coisas.”

Gleisi: “vai ficar claro quem trabalha contra o Brasil”

Quem também falou aos jornalistas sobre a MP 1303 foi a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann

“Se não aprovar isso vai ficar claro quem está fazendo o movimento contra o Brasil. Fica claro quem está defendendo o povo e quem está defendendo o andar de cima, porque, ali, nós temos a tributação do setor financeiro do Brasil, de quem ganha muito dinheiro e ainda assim as alíquotas são baixas”, disse a ministra.

“Só para você ter ideia, a média das alíquotas de tarifação desses setores tem sido de 18% na proposta que o governo fez, inclusive na tentativa de acordo, quando você tem trabalhadores, o povo brasileiro, que paga 27,5% do imposto de renda, não é justo isso. Não é justo o país ter uma tributação desse tipo para a maioria do povo e setores que lucram muito, ganham muito dinheiro, e quererem pagar pouco”, declarou Hoffmann. 

Para garantir apoio para a votação de hoje, Lula exonerou os ministros do Esporte, André Fufuca (PP-MA); do Turismo, Celso Sabino (União-PA), e dos Portos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PB), que possuem mandatos na Câmara, para votar na MP 1303. Eles retornam aos cargos após a votação.

Editado por: Luís Indriunas

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