Após ser criticado por movimentos populares, setores da sociedade e parlamentares da oposição, o governo Zema (Novo) recuou e rejeitou a proposta de “via singela” — com apenas um trilho —, defendida pela concessionária do metrô de Belo Horizonte, e anunciou que a Linha 2 do modal, que ligará as estações Barreiro e Ferrugem, será dupla.
O anúncio aconteceu na manhã desta quinta-feira (9), pouco tempo antes do início de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), convocada pela deputada estadual Bella Gonçalves (Psol), sobre o tema. A parlamentar já havia feito reuniões com ministros e a sociedade civil para alertar sobre os riscos de aumento do tempo de espera e redução da quantidade de viagens, caso a proposta de “via singela” fosse levada adiante.
“Fizemos uma grande mobilização para que a gente garantisse essa vitória importantíssima da nossa cidade: a garantia de um metrô com dignidade para a população. Já protocolamos também um projeto de lei na ALMG para garantir tarifa zero no transporte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Queremos garantir que o metrô e o ônibus metropolitano sejam gratuitos para toda a população”, comemorou a presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG.
Entenda
Desde o ano passado, quando a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais (Seinfra) aprovou, de forma preliminar, um novo projeto para a linha 2 do metrô, o tema tem ganhado repercussão.
A proposta incluía a construção de uma via singela nos últimos 2 quilômetros do trajeto entre as estações Ferrugem e Barreiro. A linha singela, ou simples, é quando apenas uma via férrea liga os pátios de cruzamento. Ou seja, os trens circulam nos dois sentidos em momentos alternados, o que faz com que um precise esperar o outro completar o trecho para poder continuar o trajeto.
Na época, a Metrô BH, responsável pela administração do serviço, afirmou que o formato seria necessário para cumprir as premissas de desempenho operacional estabelecidas no contrato de concessão. No entanto, especialistas já alertavam, como mostram reportagens do Brasil de Fato MG, que os usuários poderiam perder em conforto e amplitude de horários.
“Pode criar um ambiente de uma operação caótica, onde teremos a redução de oferta de trens e o aumento do intervalo de viagem. Com isso, o nosso usuário perde muito em conforto e também na amplitude de horários e disponibilidade do metrô de BH”, explicou Daniel Carvalho, diretor do Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindimetro/MG), quando o projeto foi aprovado.
A estimativa era de que, com a “via singela”, o intervalo de espera entre os trens seria de aproximadamente 15 minutos, impactando toda a rede metroviária. “Não poderíamos aceitar uma expansão meia boca, com a anuência criminosa do governo Zema. A via de mão única causaria atrasos e transtornos”, destaca Gonçalves.
Em nota, a Seinfra afirma que já solicitou que a concessionária Metrô BH elabore o novo projeto da Linha 2 do Metrô, considerando duas vias em todo o trajeto.
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