O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta quinta-feira (9) que houve uma pausa no diálogo entre Moscou e Washington sobre a resolução do conflito ucraniano.
“De fato, uma pausa séria surgiu no diálogo, no desenvolvimento das negociações de Istambul”, declarou o porta-voz presidencial russo.
De acordo com Peskov, o Kremlin observou que a Ucrânia não está atualmente comprometida com o processo de paz. “Kiev acredita que algo mudará nas linhas de frente, que elas mudarão para uma dinâmica positiva. A realidade indica o oposto”, observou.
Anteriormente, o porta-voz Peskov havia afirmado em 2 de outubro que a Europa estava efetivamente marginalizando a Ucrânia das negociações. Ele alegou que os europeus estavam encorajando Kiev por sua falta de diálogo com a Rússia. Segundo Peskov, “a Europa está em um frenesi antirrusso e militarista, o que está dificultando o processo de alcançar um acordo pacífico na Ucrânia”.
Já o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov, declarou na última quarta-feira (8) que o ímpeto dado ao acordo ucraniano pela cúpula russo-americana no Alasca havia diminuído significativamente. Ele atribuiu isso às ações dos europeus.
A paralisação do diálogo para a resolução do conflito ucraniano acontece em à discussão em Washington sobre o possível fornecimento de mísseis de longo alcance Tomahawk à Ucrânia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou durante a semana que “em certo sentido” chegou a uma decisão sobre o fornecimento de mísseis de cruzeiro Tomahawk de longo alcance à Ucrânia. No entanto, ele não especificou qual decisão seria, se era favorável ao recebimento dos armamentos por Kiev ou não.
A Rússia, por um lado, ainda vem manifestando cautela sobre as ameaças dos EUA. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na última terça-feira (7) que o entendimento de Moscou é que ainda é preciso aguardar por declarações mais claras sobre a posição dos EUA.
Já o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na semana passada que, se os EUA aprovarem o envio deste armamento a Kiev, isso prejudicará as relações entre Moscou e Washington, pois o “uso de Tomahawks sem a participação direta de militares estadunidenses é impossível” e “isso significaria um novo nível de escalada”.
