No próximo fim de semana, o parque municipal Américo Renné Giannetti, no centro de Belo Horizonte, recebe a 5ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária e Agricultura Familiar. Ao longo dos três dias de evento, 17, 18 e 19 de outubro, o público poderá participar de atividades culturais, formativas e de solidariedade, além de saborear a culinária sem terra, que vem de todas as regiões de Minas Gerais.
Com o lema Cultivar a terra, defender o Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reafirma seu compromisso com a terra, o alimento e o povo brasileiro. A pauta deste ano conecta a luta pela soberania alimentar à defesa da democracia e da vida no campo e na cidade.
“A feira é um importante espaço para que a população da capital mineira tenha acesso a alimentos saudáveis produzidos nas áreas de reforma agrária de todo o estado. Além da comercialização de produtos agroecológicos e da geração de renda para os camponeses, será também um momento de vivenciar a cultura camponesa”, afirma Fábio Nunes, do setor de produção do MST em Minas Gerais.
Organizada em parceria com o Centro de Formação Francisca Veras (CFFV), associações e cooperativas da reforma agrária, a feira tem expectativa de comercializar em torno de 30 toneladas de produtos. O evento conta com apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação de Parques e Zoobotânica, e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com o Programa Alimento no Prato.
A feira é resultado da luta
O papel da Reforma Agrária Popular como uma política essencial para garantir o direito à alimentação saudável, a preservação ambiental e o fortalecimento da agricultura familiar é tema central do debate que o MST pretende, com a feira, levantar na sociedade. Para o movimento, a feira estadual é uma síntese de todo o processo organizativo e de cooperação que permeia a vivência das famílias nos assentamentos e acampamentos.
Estarão presentes ao menos nove cooperativas mineiras, além de outras do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e São Paulo. Também marcam presença produtos dos coletivos de mulheres, cultura, saúde e associações produtivas das oito regionais organizadas pelo MST em Minas.
Nunes pontua o papel dos diversos espaços de diálogo construídos pelo movimento, fazendo da feira um momento único de partilha e entrosamento entre o campo e a cidade.
“A culinária da terra e seus pratos típicos das regiões, as atividades culturais, as experiências de restauração florestal, de educação infantil, de formação e de saúde são exemplos desse diálogo. Lá, vamos vivenciar de perto os resultados da ocupação da terra, com a construção da Reforma Agrária Popular e de uma sociedade mais justa”, afirma.
Fartura alimentar e cultural
Além dos produtos in natura trazidos de todos os cantos de Minas, o movimento vai comercializar mudas e sementes, artesanatos, instrumentos musicais e produtos agroindustrializados da reforma agrária, como cafés, queijos, doces, hortaliças, farinhas, mel, fitoterápicos e plantas ornamentais.
Muito mais que um espaço de comercialização, o evento parte da necessidade de alimentar o povo brasileiro com terra, arte e pão. A ampla programação cultural tem como principal objetivo reafirmar a arte como forma de luta e resistência, aproximando o público urbano das expressões e valores do campo, como explica Lua Oliveira, da direção estadual do coletivo de cultura do MST.
“A feira é o nosso grande elemento cultural, uma expressão da cultura do povo sem terra, da comida ao palco. Essa feira cumpre a função de dialogar com a sociedade e defender a soberania do Brasil com arte e beleza. É o momento de defender a nossa cultura e as nossas expressões”, destaca.
Ao longo de todos os dias, acontecem intervenções artísticas, de chão e palco, nas diversas linguagens. Entre as atrações confirmadas estão: Giancarlo Borba, Sol Bueno, João Arruda, Sérgio Pererê e Guarda de Congo da Irmandade Os Ciriacos, Titane, em parceria com o Bloco Pisa Ligeiro e Pereira da Viola, além de apresentações dos artistas sem terra, com destaque para Zé Pinto e Mina Flor.
Agroecologia e sustentabilidade
Uma novidade desta edição é a realização dos caminhos da agroecologia, um espaço para que o público possa conhecer diversas experiências do movimento nas dimensões da Reforma Agrária Popular: da produção à educação, passando pela cultura, comunicação e saúde. Com rodas de conversa, oficinas e debates, quem passar pelo parque municipal vai conhecer e debater sobre agroecologia, soberania alimentar, função social da terra e meio ambiente.
Os destaques estão nas experiências dos Programas Populares de Reparação Ambiental do MST nas bacias do Rio Doce e do Paraopeba, atingidas pelos crimes da mineração, além da parceria com a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), por meio dos Círculos de Cultura, promovidos em escolas nas áreas do movimento, que incentivam a dimensão criativa da relação com a terra a partir da educação do campo.
Reforçando seu compromisso com a defesa da natureza e o enfrentamento da crise ambiental por meio de ações práticas e educativas, a feira deste ano contará com uma central de triagem de resíduos para reciclagem, desenvolvida em parceria com cooperativas de catadores de Belo Horizonte. A redução do uso de plásticos e descartáveis vai ficar por conta da adoção de copos reutilizáveis e estímulo de práticas conscientes de consumo entre os participantes.
Solidariedade
Por fim, o evento também cumpre o papel de trazer a solidariedade para o centro da defesa de um Brasil popular e soberano. A partir da organização do Mãos Solidárias, movimento de articulação entre o campo e a cidade, haverá distribuição de alimentos saudáveis vindos dos territórios sem terra para comunidades em situação de vulnerabilidade social.
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Confira a programação completa:
17/10 – Sexta-feira:
- 8h às 18h – Feira e Culinária
- 10h30 – Ato de Abertura da Feira
- 13h – Roda de Conversa Mais Gestão
- 14h – Chão da feira – Ensaio aberto – Bloco Pisa Ligeiro
- 15h45 – Palco Latino Americano com Giancarlo Borba, Sol Bueno e João Arruda
- 17h – Roda de Conversa Culinária da Terra
18/10 – Sábado:
- 8h às 18h – Feira e Culinária
- 9h – Chão da feira – Roda de Capoeira
- 9h às 11h – Assembleia Popular em Defesa da Natureza
- 11h – Palco – Mina Flor e Zé Pinto
- 14h – Chão da feira – Ensaio aberto – Bloco Pisa Ligeiro
- 15h – Oficina de captura de abelha
- 15h – Roda de conversa Finapop / Roda Campanha contra agrotóxico
- 16h – Palco – Titane com lançamento do clipe Madeira e participação do Bloco Pisa Ligeiro
19/10 – Domingo:
- 8h às 15h30 – Feira e Culinária
- 10h – Palco – Sérgio Pererê e Guarda de Congo da Irmandade Os Ciriacos
- 11h45 – Chão da feira – Danças tradicionais com a Folia do Divino Espírito Santo
- 13h – Roda Brigadas de combate aos incêndios
- 14h30 – Palco – Pereira da Viola
- 15h30 – Encerramento da Feira
