Na próxima quinta-feira, 16 de outubro, às 14h, a sede da União de Cegos do Rio Grande do Sul (Ucergs), em Porto Alegre, recebe uma sessão do Festival de Cinema Acessível Kids com a exibição do filme “Frozen”. A atividade faz parte do projeto “Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional”, promovido pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Mais Criança, em parceria com o Criança Esperança. O evento é gratuito e os interessados devem solicitar reserva até as 10h do mesmo dia, pelo e-mail: [email protected].
O festival foi criado para garantir o acesso de crianças cegas, com baixa visão, surdas, com deficiência auditiva, intelectual ou cognitiva ao universo cinematográfico. Também busca alcançar públicos de baixa renda e moradores de regiões com pouco acesso a espaços culturais. As sessões contam com recursos como audiodescrição, legendas descritivas e janela em Língua Brasileira de Sinais (Libras), permitindo que o conteúdo seja compreendido de forma simultânea por todos os espectadores.
Idealizado pelo músico e empreendedor social Sidnei Schames, o projeto nasceu em Porto Alegre há dez anos, inicialmente voltado ao público adulto. A versão voltada às crianças surgiu a partir de um episódio pessoal, quando o filho do idealizador, David, então com oito anos, não pôde entrar no cinema por causa da classificação etária do filme exibido. A partir dessa experiência, nasceu o “Festival de Cinema Acessível Kids: leve seu pai ao cinema”, que desde 2017 realiza exibições voltadas ao público infantil.
A iniciativa recebeu reconhecimento da Unesco e, a partir de 2022, passou a integrar o Criança Esperança, ampliando suas ações para outras regiões do país. De acordo com a Mais Criança, novas atividades estão previstas ainda neste ano em Florianópolis e Brasília, com sessões de cinema e oficinas de inclusão social.
Em Porto Alegre, a sessão na Ucergs contará com a presença de crianças atendidas pela instituição, além de estudantes e professores da Escola Conveniada de Educação Infantil Nosso Sonho. A atividade faz parte do trabalho permanente da União de Cegos, fundada em 1984, que atua na habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência visual. A entidade também promove ações culturais e oficinas que aproximam pessoas com e sem deficiência, fortalecendo vínculos comunitários.

Cultura acessível como ferramenta de inclusão
Os recursos utilizados nas exibições são fundamentais para garantir o entendimento completo da narrativa por todos os participantes. A audiodescrição, por exemplo, permite que pessoas cegas ou com baixa visão acompanhem detalhes visuais da obra, como expressões faciais, cenários e movimentos. Pesquisas apontam que o recurso também beneficia crianças com autismo, deficiência intelectual ou déficit de atenção.
Já as legendas descritivas e a janela em Libras asseguram que pessoas com deficiência auditiva tenham pleno acesso à experiência cinematográfica. Além dos filmes, o festival oferece momentos de recepção e interação entre o público, estimulando a convivência e o aprendizado mútuo sobre as diferentes formas de perceber o mundo.
De acordo com os organizadores, o acesso à cultura nas mesmas condições é uma das principais formas de inclusão social. A presença de famílias com e sem deficiência nas sessões cria um espaço de convivência que amplia a compreensão sobre a diversidade e o direito à participação plena em atividades culturais. O festival também promove oficinas de capacitação para educadores, voltadas à inclusão e à acessibilidade, com foco em práticas que possam ser replicadas nas escolas públicas.
O projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os que tratam da educação inclusiva, do crescimento equitativo e da redução das desigualdades. Segundo a Mais Criança, iniciativas como essa contribuem para que o cinema seja um espaço de aprendizado, convivência e cidadania, fortalecendo desde cedo o reconhecimento das diferenças como parte essencial da vida em sociedade.
