Em um espaço de partilha, acolhimento e construção coletiva, Belo Horizonte encerrou o Festival Mulheres em Lutas (MEL) – Minas Gerais, no dia 4 de outubro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Centenas de mulheres, de diferentes regiões do estado e de outras partes do país, participaram de debates, oficinas e rodas de conversa que discutiram o fortalecimento da luta feminista, a justiça climática e o enfrentamento à violência política de gênero.
O evento foi organizado pelo Instituto “E Se Fosse Você?” e teve início com a apresentação da peça Outono, da vereadora de BH e atriz Cida Falabella (Psol), seguida da mesa de abertura. O momento reuniu nomes de destaque da política e dos movimentos populares, como Manuela d’Ávila, presidenta do instituto realizador; a professora Marlise Matos e a vereadora Iza Lourença (Psol), co-organizadoras do festival; as deputadas federais Duda Salabert (PDT), Ana Pimentel (PT), Célia Xakriabá (Psol) e Dandara (PT); as deputadas estaduais Bella Gonçalves (Psol) e Lohanna França (PV); além de Priscila, do MST, e Paula Coradi, presidenta nacional do Psol.
Com o lema A luta das mulheres como ação coletiva, o MEL foi marcado por momentos de escuta e diálogo entre gerações de mulheres que atuam em diferentes frentes de transformação social. A programação também contou com um Espaço de Brincar, voltado para o cuidado e acolhimento das crianças, reforçando o compromisso do festival com a construção de práticas feministas de cuidado compartilhado.
Durante o encerramento, foi lida a Carta de Minas Gerais, manifesto político e poético que sintetizou o espírito do encontro. No documento, as participantes se autodenominam “enxame de abelhas mineiras, pelo clima, por direitos e para transformar e ocupar a política”. A carta presta homenagem a mulheres históricas de Minas, como Bárbara e Leodora, Carolina Maria de Jesus, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo e Helena Greco, e reafirma o compromisso com uma luta feminista antirracista, antifascista e eco-socialista.
“Mesmo querendo nos silenciar, nos envenenar com ódio e nos desmobilizar pelo medo, seguimos. Como abelhas melíferas, enfrentamos o autoritarismo, o machismo, o racismo e a extrema direita. Somos MEL – Mulheres em Lutas”, diz um trecho da carta.
O texto também chama atenção para pautas urgentes, como a defesa da justiça climática, o combate à mineração predatória e à violência política de gênero, a luta por justiça reprodutiva, tarifa zero no transporte público, e políticas que socializem a carga do cuidado.
Encerrando as atividades, o sentimento coletivo foi de esperança e continuidade. “O MEL Minas Gerais se despede, mas a luta segue em cada gesto de coragem, em cada abraço e em cada palavra que busca uma sociedade mais justa, cuidadosa e plural”, destacou a organização.
