MEIO AMBIENTE

Derrubada do ‘Bosque da Copel’, em Curitiba (PR), revolta moradores

Parlamentares municipais e estaduais pedem esclarecimentos à Prefeitura e para a empresa privatizada

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Bosque da Copel pode dar lugar a edifícios | Crédito: Ascom Copel

A privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi acompanhada da venda de imóveis e terrenos da empresa visando diminuir custos. E uma dessas vendas têm irritado moradores da proximidade do Bosque Copel, em Curitiba, perto do Parque Barigui. Moradores da região alegam estarem recebendo informes e comunicados que o local pode ser desmatado para dar lugar a 21 torres residenciais. A área tem 47 mil metros quadrados. A reclamação chegou a parlamentares municipais e estaduais, que enviaram ofícios à Prefeitura de Curitiba, à Secretaria do Meio Ambiente, ao Ministério Público e à Copel.

Em um grupo dos moradores, eles demonstram preocupação e revolta com a possível derrubada da área para dar lugar a prédios residenciais. A reportagem teve acesso ao grupo. Um morador disse que “tendo especulação imobiliária, haverá muitos interesses das incorporadoras”.

Os moradores iniciaram um abaixo-assinado que consta com mais de 1,5 mil assinaturas. O texto esclarece que “em 13 de outubro de 2025 moradores do Bigorrilho receberam uma notícia de que o chamado Bosque da Copel, área de quase 50 mil metros quadrados de mata nativa na Rua Padre Agostinho, poderia dar lugar a mais de 20 prédios. Mobilizamos diversos órgãos e parlamentares e buscamos respostas! O Bosque da Copel é um exemplar importante da mata de Curitiba, que precisa ser preservado!”

Confira aqui o abaixo assinado

Parlamentares cobram explicações

A vereadora Laís Leão (PDT) informou que foram acionadas a Copel, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), a Secretaria Municipal de Urbanismo e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável. Além disso, o Ministério Público do Paraná, por meio da Procuradoria do Meio Ambiente, foi acionado para apurar o caso.

“O teor das mensagens que recebemos é muito grave. Há suspeita de que araucárias e outras árvores estão sendo cortadas para uma suposta construção de prédios. Já pedi esclarecimentos à Copel, às secretarias de Meio Ambiente e Urbanismo, para entender o que de fato está acontecendo”, afirmou a vereadora.

O Ministério Público do Paraná, por meio da 2ª Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente, informou na terça-feira (14) ter registrado uma Notícia de Fato a partir de ofício enviado pela vereadora Laís Leão sobre denúncias envolvendo o Bosque da Copel.

Quem também levou questionamentos às autoridades foi a vereadora Giorgia Prates (PT). No documento encaminhado ao MP-PR, ela solicita que sejam adotadas medidas para verificar se foram cometidos crimes ou infrações ambientais contra o Bosque da Copel; determinar responsabilidades (pessoas físicas e/ou jurídicas) pelas supostas degradações; suspender todo e qualquer empreendimento ou obra que coloque em risco o equilíbrio ecológico até que haja estudo técnico adequado; garantir a integridade da Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal, com proteção jurídica mais efetiva.

“Com o apoio da sociedade civil, movimentos ambientais, associações de bairro, ambientalistas e poder público, vamos agir para que o Bosque da Copel não desapareça por conta da pressão da especulação imobiliária”, disse Giorgia.

Em nível estadual, o deputado Requião Filho (PDT) fez coro às denúncias de moradores que relatam derrubada de árvores nativas e movimentações na região.

“O Bosque da Copel é um símbolo de preservação dentro da cidade e um espaço de grande valor ambiental, como já reconheceram Prefeitura e Governo. Queremos entender o que aconteceu com o protocolo de proteção assinado em 2018 e se todas as medidas legais estão sendo respeitadas”, destacou Requião Filho.

Área protegida

Em 2018, o então prefeito Rafael Greca e a governadora Cida Borghetti assinaram protocolo de intenções que garantiram a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM) em parte do terreno do Polo Padre Agostinho, da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), no bairro Bigorrilho. O texto foi assinado antes de a Copel ser privatizada.

Prefeitura se manifesta

Em nota, a Prefeitura de Curitiba alega que a derrubada do Bosque da Copel é especulação. “Não há nenhuma previsão de corte de árvores por parte da Prefeitura. Até o momento, também não há protocolo em tramitação na Secretaria Municipal do Urbanismo referente à construção de edificações nas demais IFs do terreno em questão; assim como não há recursos junto ao Conselho Municipal de Urbanismo que tratem da viabilidade de empreendimentos no local”, diz a nota.

Até o fim da edição desta matéria a Copel não se manifestou sobre o assunto.

Editado por: Ana Carolina Caldas

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