Convocatória

MST encerra campanha de fotografia em homenagem a Sebastião Salgado e prepara exposição para 2026

Movimento convidou assentados e apoiadores a retratar relação entre famílias sem terra e biomas brasileiros

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Fotógrafo Sebastião Salgado retratou luta por terra após massacre de Eldorado dos Carajás e destinou renda do livro Terra à construção da Escola Nacional Florestan Fernandes
Fotógrafo Sebastião Salgado retratou luta por terra após massacre de Eldorado dos Carajás e destinou renda do livro Terra à construção da Escola Nacional Florestan Fernandes | Crédito: Divulgação

A campanha Registros da Terra: o MST e os biomas brasileiros, que homenageia o fotógrafo Sebastião Salgado, histórico aliado do movimento e defensor da luta pela terra, chega ao fim nesta quinta-feira (16). A iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mobilizou assentados, militantes e apoiadores em todo o país para retratar, por meio da fotografia, a relação das famílias sem terra com os biomas brasileiros.

Aberta a fotógrafos profissionais e amadores, a convocatória buscou “popularizar a fotografia a partir dos equipamentos possíveis: câmeras, celulares ou até fotos antigas”, explicou Renata Menezes, representante do Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis do MST e integrante da comissão curadora da campanha, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

O movimento lançará uma exposição com 120 imagens selecionadas em janeiro de 2026, durante o Encontro Nacional do MST, em Salvador (BA). Todas as fotos enviadas ficarão disponíveis no site do MST, “para o nosso deleite, para a nossa imaginação, para as nossas formas de ir retratando esses registros”, completou Menezes. Segundo ela, “muita coisa bonita tem surgido” dos envios.

A representante lembra que a relação entre o MST e a fotografia é antiga e está ligada à trajetória de Sebastião Salgado. “O MST tem uma longa relação com a fotografia. Desde o final da década de 1990, especialmente depois do massacre de Eldorado dos Carajás, Sebastião Salgado foi uma figura muito importante para denunciar a violência no campo”, explicou.

Menezes conta que a parceria com Salgado, o escritor José Saramago e o músico Chico Buarque foi decisiva para construir a Escola Nacional Florestan Fernandes, com recursos arrecadados pelo livro Terra, publicado em 1997 e dedicado à luta dos trabalhadores rurais.

Mais de duas décadas depois, o movimento retoma esse vínculo com a fotografia como parte de um esforço de reconexão com a natureza e valorização das práticas agroecológicas. “Existe uma disputa colocada sobre como nos enxergamos na nossa relação com a natureza. A campanha vem nesse sentido: reconhecer essa relação e denunciá-la diante do avanço do agronegócio, que é o principal destruidor dos biomas e das florestas no Brasil”, afirmou.

A exposição Registros da Terra será dividida em cinco temas, que orientaram o envio das fotografias:

  • MST: protegendo os biomas por meio da luta pela terra: iniciativas do movimento em defesa da natureza e dos territórios;
  • Agroecologia como modelo de proteção da natureza: práticas que integram árvores aos sistemas produtivos e fortalecem os cuidados coletivos com os biomas;
  • Produzir alimentos saudáveis para proteger a natureza: a produção de alimentos em harmonia com árvores frutíferas e nativas;
  • Água, bem comum de todo o povo: ações de recuperação de mananciais e matas ciliares e a convivência com a água;
  • Agronegócio, destruidor dos nossos biomas: impactos ambientais e sociais provocados pelo modelo do agronegócio.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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