AUTORITARISMO

Não há condições para Nádia permanecer presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Sob comando de Nádia, Guarda Municipal que atua na Câmara agiu com violência sem precedentes contra manifestantes

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Movimentação de plenário. Na foto, presidente Comandante Nádia | Crédito: Ederson Nunes/CMPA

No dia dos professores, quando deveríamos homenagear aqueles e aquelas que transformam vidas através de sua dedicação diária, o que observamos foi a violência sem precedentes da Guarda Municipal de Porto Alegre que atua na Câmara dos Vereadores sob comando da presidência da casa. 

A atual presidente, vereadora que se autointitula “Comandante” Nádia, aparentemente ordenou que os responsáveis pela segurança da “casa do povo” reprimissem manifestações do povo com bala de borracha e gás lacrimogêneo. Se não orientou a violência, ficou omissa diante dela quando possuía o dever legal e institucional de agir para impedi-la. Sua inércia é corresponsável pelos danos físicos, morais e psicológicos causados às vítimas.

O que cabe à presidência de uma casa legislativa é garantir a ordem e a democracia. Que sejam ouvidas múltiplas vozes, bem-vindas as divergências políticas, o debate público e respeitoso, a construção de reflexões pró e contra projetos de lei, projetos de cidade. O que aconteceu no dia de hoje foi o oposto. No lugar da garantia à democracia, o autoritarismo. No lugar do espaço ao divergente, o cerrar dos portões. 

Perna do André Telles após tiro de borracha – Foto: Rafa Dotti

A vereadora Atena aparece em cenas praticamente desmaiada e precisou ser encaminhada ao Hospital Pronto Socorro (HPS). O vereador Giovani Culau levou um tiro de borracha na canela. E isso foram vereadores, autoridades eleitas democraticamente pelo povo – imagine o que resta para os servidores, recicladores e recicladoras desconhecidas?  

De acordo com o artigo 30 da Lei nº 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade), constitui crime “dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa  sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente com abuso de autoridade”, com pena de detenção de um a quatro anos e multa. Assim, caso fique comprovado que a presidente da Câmara, Nádia, ordenou, consentiu ou se omitiu diante do uso desproporcional da força, resultando em constrangimento, lesão e violação à liberdade de manifestação, ela pode – e deve – ser enquadrada nos dispositivos da Lei de Abuso de Autoridade, respondendo pelos excessos praticados sob sua responsabilidade institucional.

Vereadores da oposição solicitam afastamento da vereadora Comandante Nádia – Foto: Rafa Dotti

É fundamental lembrar que autoridade e autoritarismo são conceitos distintos e incompatíveis. A primeira se legitima pelo exercício ético e legal do poder público em defesa do bem comum; o segundo se manifesta como violência política e arbitrariedade, corroendo os fundamentos da própria democracia. A preservação do Estado Democrático de Direito exige que quem ocupa cargos de poder aja com respeito, prudência e compromisso com a dignidade humana, jamais com truculência e repressão.

Os fatos desta quarta-feira (15) não são apenas um episódio lamentável – são um ato de ruptura institucional que mancha a história da Câmara Municipal de Porto Alegre. Quem transforma o espaço do diálogo em campo de batalha, quem converte a divergência em inimiga e a força em argumento, não está à altura da democracia que jurou defender. A permanência de Nádia na presidência da Casa representa a normalização da violência política e do autoritarismo, e sua renúncia é o mínimo gesto de respeito às vítimas, à cidade e ao próprio cargo que ocupa.

*Luz Dorneles é jornalista, poeta e musicista.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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