Atitude 'deplorável'

PT condena autorização da CIA para ações letais na Venezuela: ‘Afronta à soberania’

Partido critica ofensiva de Trump e alerta para histórico ‘sombrio’ de golpes patrocinados pela CIA na América Latina.

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Aviões do tipo B52 sobrevoaram a Venezuela na quarta-feira (15) | Crédito: Wikimedia

O Partidos dos Trabalhadores (PT) condenou as declarações do presidente estadunidense Donald Trump sobre ações da CIA no território venezuelano. Em uma nota, divulgada pela Comissão Executiva Nacional nesta quinta-feira (16), a legenda reagiu às ameaças da Casa Branca de autorizar a Agência Central de Inteligência (CIA) a conduzir operações secretas e letais na Venezuela.

Segundo o texto, as afirmações de Trump são uma “afronta à soberania”, o partido também classificou a ação como deplorável. “Soma- se a isso o cerco militar que vem sendo praticado contra o povo venezuelano, com execuções sumárias de vidas humanas por forças militares norte-americanas. Trata-se de uma prática inadmissível, sem base legal e sem qualquer processo investigativo.”

O PT enfatizou ainda o histórico da CIA de “patrocínio e articulação de ações ilegais e desestabilizadoras em países da América do Sul”. A nota ressalta que essas ações “deixaram marcas de ingerências, ilegalidades, golpes, repressão e ditaduras sangrentas”. O texto destaca que não é possível aceitar a repetição desses cenários na atualidade.

“O Partido dos Trabalhadores condena com veemência mais um ataque dos EUA à soberania da Venezuela. Somos defensores do Direito Internacional e dos princípios da não ingerência e da autodeterminação dos povos em qualquer parte do mundo.”

Nesta quarta-feira (15), o governo estadunidense de Donald Trump confirmou que a CIA foi autorizada a realizar ações secretas na Venezuela, aumentando a retórica bélica contra o país sul-americano. A informação havia sido antecipada pelo jornal The New York Times e foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (15).

Segundo o jornal, a CIA poderia realizar ações secretas contra Maduro ou seu governo, tanto unilateralmente quanto em conjunto com uma operação militar mais ampla. A ordem permite que a agência opere em outras partes do Caribe. Para justificar a decisão, Trump afirmou que a agência vai atuar no combate a “cartéis” e “narcoterroristas” no país.

Há cerca de 10 mil militares estadunidenses na região, a maioria em bases em Porto Rico, além de oito navios de guerra e um submarino no Caribe. A estratégia visa tirar Nicolás Maduro do poder. Os EUA prometeram uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 273 milhões) por informações que levem à captura do presidente venezuelano.

Maduro nega as acusações de narcotráfico no país e afirma que o tema foi levantado para criar uma narrativa que justifique invasões. O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, declarou que os ataques visam roubar os recursos naturais da Venezuela.

No mesmo dia da confirmação da autorização da CIA, Maduro ordenou exercícios militares nas maiores comunidades do país. A mobilização, que abrangeu a capital e o estado vizinho de Miranda, busca “defender montanhas, costas, escolas, hospitais, fábricas, mercados” e comunidades “para continuar alcançando a paz”. O presidente venezuelano também classificou as ameaças como “uma covardia que vem de Miami”.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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