POLÍTICA

Vereador de Porto Alegre se defende de acusações e detalha denúncias de corrupção no Dmae

Gilvani que recebeu recursos do Dmae exercendo o cargo de vereador, afirma que não tinha mais contrato com a autarquia

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Vereador Gilvani, o Gringo | Crédito: Foto: Johan de Carvalho/CMPA

O vereador licenciado Gilvani, o Gringo (Republicanos) convocou uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (16), para se defender das denúncias de que segue mantendo relações com o Dmae como empresário, conduta vedada pela Lei Orgânica do Município de Porto Alegre (RS). Durante a entrevista, Gringo não ficou só na defesa e também partiu para o ataque elencando uma série de denúncias de corrupção no extinto DEP e no Dmae. 

Na última segunda-feira (13), o jornal Zero Hora revelou que o vereador, que tem empresas no ramo de saneamento, seguiu como sócio-administrador da MJM Serviços de Limpeza após ser empossado e recebeu um pagamento de R$ 25 mil do Dmae em março de 2025, durante o exercício do cargo. Os recursos são oriundos de um contrato de abastecimento de bairros de Porto Alegre com caminhões-pipa entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024.

O artigo 66 da Lei Orgânica do Município impede que os vereadores sejam “proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa de direito público no município”. Ao lado de seu advogado, Gilvani se defendeu utilizando outro trecho do mesmo artigo da lei, que proíbe, desde a data da diplomação dos vereadores, “firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, sociedade de economia mista, autarquia, empresa pública ou empresa que preste serviço público por delegação”. 

“Não possuímos nenhum contrato com a prefeitura desde a data de minha diplomação, 100% do meu faturamento vem do setor privado”, alegou o vereador, que pediu licença do mandato nesta quarta (15), por “interesse pessoal”, e deve retornar ao cargo na próxima segunda (20). Ele sugeriu ainda que o pagamento durante seu mandato pode ter sido intencional, para prejudicá-lo por conta das denúncias que fez contra agentes públicos do Dmae. “Por que trazer um pagamento desses? Para armar narrativas, para prejudicar o Gringo”, disse referindo a si mesmo na terceira pessoa.

Outra relação de Gilvani com o Dmae revelada pelo jornal começou em dezembro de 2023 e tinha duração de um ano para transporte de resíduos da atividade de saneamento, pelo qual ainda tem R$ 215 mil a receber da autarquia. O vereador alcançou notoriedade durante a enchente apoiando as comunidades atingidas, alegadamente como voluntário. Em suas redes sociais, o deputado estadual Matheus Gomes (PSOL) afirmou nesta semana que “o Governo Melo financiou Gilvani Gringo enquanto ele pagava de voluntário nas enchentes, durante a campanha eleitoral”. 

Sobre esta acusação, Gringo afirma que foi, efetivamente, voluntário. “Se tem ajuda do Gringo que foi paga, me mandem o comprovante. Isso é narrativa. O contrato que existe era de remoção de resíduos entre ecopontos do Dmae, não tem nada a ver com a enchente. Eu atuei muito, com bombas, transporte de equipamento, logística, mão de obra em Canoas, Eldorado do Sul. Não teria atuado se fosse com interesse”. 

Relatório paralelo

A CPI do Dmae foi concluída com dois relatórios. O oficial, elaborado por Rafael Fleck (MDB), exime a Prefeitura pelas falhas no sistema de proteção contra cheias e coloca a responsabilidade na União. A oposição, por sua vez, apresentou um relatório paralelo, pedindo o indiciamento do prefeito Sebastião Melo. Agora, Gilvani, o Gringo promete entregar a autoridades um terceiro relatório, com uma série de denúncias de corrupção no Dmae, que teriam começado em 2015. 

O vereador, que tem um processo contra si por pagamento de propina correndo em segredo de justiça, afirma ter sofrido extorsão, por pessoas que “criavam dificuldade para vender facilidade”. “Seguravam o pagamento por meses, depois extorquiram”, afirma. 

Brandindo uma série de papéis, Gringo afirmou ter feito dezenas de ocorrências policiais contra servidores do antigo DEP e do Dmae, denunciando possíveis direcionamentos de licitações, superfaturamentos e extorsões. As denúncias foram detalhadas em um dossiê distribuído pelo vereador. 

Entre elas, o documento acusa o Dmae de superfaturamento, fraude na execução do contrato e direcionamento de edital na contratação de uma empresa de serviços de desobstrução e limpeza de bocas de lobo, redes e galerias de esgoto, com uso de caminhão hidrojato e alta aspiração e recolhimento e destinação correta dos resíduos. Segundo dossiê elaborado pelo parlamentar, a empresa vencedora, não teria licença para coletar resíduos, transportar e destinar resíduos. “Descartam os resíduos no próprio Dmae, e cobram por isso”, denuncia Gringo. 

Outra acusação diz respeito ao contrato para abastecimento com caminhões-pipa pelo qual recebeu recursos já como vereador. Segundo Gringo, o contrato com sua empresa foi cancelado antes do término para direcionar o serviço a outra companhia. “Na época denunciamos que havia um esquema de direcionamento, registro este que gerou a prisão de operadores”, afirma o documento distribuído pelo vereador.  

Sobre estes fatos, o vereador mostra cópia da queixa que sua filha, Daniela Dall’oglio, registrou na Polícia Civil, em janeiro de 2024, o que teria gerado uma operação policial na casa do então gerente de licitações do Dmae, Diego Correa Chaves, em agosto do ano passado. “Registro aqui que nesta operação descobrimos inclusive que havia um plano para tentar matar a mim e minha filha”, diz no documento. 

Gilvani, o Gringo afirma que o relatório paralelo será distribuído à Polícial Civil, Ministério Público, ao prefeito Sebastião Melo e à Procuradoria-Geral do Município. 

Editado por: Sul21
Conteúdo originalmente publicado em: Sul21

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