FIM DA AJUDA

Relação com os EUA piora e Colômbia convoca embaixador após Trump acusar Petro de narcotráfico

Trump acusa Gustavo Petro de narcotráfico e suspende ajuda bilionária ao país

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Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Colômbia, Gustavo Petro | Crédito: Mandel NGAN e Joaquín SARMIENTO / AFP

O presidente colombiano, Gustavo Petro, convocou seu embaixador nos Estados Unidos para consultas após o anúncio de Donald Trump sobre a retirada da ajuda financeira à Colômbia por “fomentar” a produção de drogas, informou nesta segunda-feira (20) o governo colombiano. A relação entre os dois países, historicamente aliados, enfrenta seu pior momento com o retorno de Trump à Casa Branca e o primeiro presidente de esquerda da Colômbia.

No domingo, Trump suspendeu “pagamentos” e qualquer forma de “subsídios” à Colômbia após acusar o governo Petro de tolerar a produção de drogas e afirmar que o presidente do país sul-americano é um “líder narcotraficante”. No mesmo dia, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, informou sobre um ataque em 17 de outubro contra uma embarcação em águas internacionais que matou três supostos rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro colombiano.

O governo dos Estados Unidos mantém navios de guerra no Caribe desde agosto e a frota atacou pelo menos sete embarcações que, segundo Washington, transportavam drogas. Ao menos 27 pessoas morreram até o momento, segundo Washington, em bombardeios questionados por Petro, que denuncia violações à soberania das águas nacionais.

Petro minimizou o anúncio e respondeu na rede social X que a chamada “guerra contra as drogas” dos Estados Unidos “é uma estratégia fracassada que deixou um milhão de mortos na América Latina e é apenas uma desculpa para controlar a América Latina”.

“Por isso”, acrescentou, “no Caribe caem mísseis (…) sobre barcos de pessoas, que, sejam ativas no narcotráfico ou não, têm o direito de viver”. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia anunciou que recorrerá a “instâncias internacionais” em defesa de sua “soberania como Estado”.

“Jamais a Colômbia foi grosseira com os Estados Unidos, pelo contrário, gostamos muito de sua cultura. Mas você é grosseiro e ignorante com a Colômbia”, disse Petro a Trump neste domingo na rede X, após uma série de mensagens de um lado e de outro.

‘Campos de extermínio’

Minutos antes, o republicano havia acusado Petro de “fomentar fortemente a produção maciça de drogas”, um mês depois de ter cancelado o seu visto americano e o de muitos funcionários colombianos.

A bordo do Air Force One, Trump confirmou no domingo as declarações do senador republicano Lindsey Graham, que anunciou que “serão aplicadas tarifas expressivas” aos produtos colombianos, sobre os quais incide uma tarifa de 10%.

“Eu vou falar amanhã”, declarou o presidente dos Estados Unidos. Washington retirou em setembro a certificação da Colômbia como país aliado na luta contra as drogas. Com esse status, Bogotá recebia centenas de milhões de dólares em apoio militar americano. Em sua publicação de domingo, Trump pareceu ameaçar com algum tipo de intervenção americana na Colômbia.

“Petro, um líder mal avaliado e muito impopular, com uma língua afiada em relação aos Estados Unidos, é melhor fechar imediatamente estes campos de extermínio, ou os Estados Unidos vão fazê-lo por ele, e isto não será feito de forma agradável”, escreveu Trump.

Apoio internacional

Ex-líderes sul-americanos manifestaram apoio público a Petro. O ex-presidente do Equador Rafael Correa (2007 – 2017) sugeriu que Trump deveria conter o consumo estadunidense da cocaína colombiana. “Tomara que ele também feche o nariz de seus compatriotas”, publicou ele no X.

“Que o homem mais poderoso do planeta seja um palhaço irresponsável deveria preocupar toda a humanidade. Força, Presidente Petro! Força, Colômbia! Força, América Latina!”, disse Correa.

O ex-presidente boliviano Evo Morales publicou uma mensagem de solidariedade a Petro em sua conta nas redes sociais, X.

“Enviamos nossa total solidariedade ao irmão Presidente Gustavo Petro diante dos ataques e ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, escreveu o ex-presidente boliviano (2006-2019).

“Gustavo Petro é uma das vozes dignas que buscam a paz. As ameaças contra nossa irmã Colômbia são ameaças contra toda a Pátria Grande”, declarou Evo Morales.

Editado por: Nathallia Fonseca

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