Nexperia

Países Baixos tentam reverter retaliação chinesa após assumirem controle de fabricante de chips

Indústria automotiva alemã alerta para risco de paralisação da produção com bloqueio chinês de chips da Nexperia

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Ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi e homólogo neerlandês, Caspar Veldkamp, durante encontro na Casa de Hóspedes Estatal Diaoyutai, em Pequim, em 22 de maio de 2025 | Crédito: Wang Tingshu / POOL / AFP


O ministro neerlandês de Assuntos Econômicos, Vincent Karremans, conversou nesta terça-feira (21), por telefone com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, para tentar solucionar o impasse criado depois que o governo dos Países Baixos tomou a inusitada decisão de assumir o controle da fabricante de chips Nexperia no começo de outubro.

A conversa foi feita a pedido do país europeu devido à retaliação chinesa. Em resposta à intervenção do governo neerlandês, a China proibiu a exportação de chips para a Nexperia, subsidiária da chinesa Wingtech Technology, o que gerou alerta na indústria automobilística alemã. A Nexperia produz chips simples, mas essenciais para as indústrias automotiva e de eletrônicos de consumo.

Durante a conversa, Wang instou os Países Baixos a “resolver adequadamente” as questões relacionadas à Nexperia, proteger os direitos dos investidores chineses e “promover um ambiente de negócios justo, transparente e previsível”, segundo informou a mídia chinesa CCTV.

O ministro chinês afirmou que as medidas dos Países Baixos contra a Nexperia “impactaram severamente a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais” e pediu que os Países Baixos atuem “a partir da perspectiva geral de manter a segurança e estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais”.

Preocupação na indústria automobilística alemã

A retaliação chinesa gerou preocupação principalmente na Alemanha. A presidenta da Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA, na sigla em alemão), Hildegard Müller, informou em comunicado nesta terça (21), que fabricantes de automóveis e fornecedores receberam em 10 de outubro uma comunicação da Nexperia indicando que a empresa não pode mais garantir o fornecimento integral de chips para a cadeia automotiva.

Müller alertou que a situação poderia levar a restrições consideráveis de produção no futuro próximo e possivelmente até paralisações, caso a interrupção do fornecimento não seja resolvida rapidamente.

Karremans informou após a conversa telefônica que os dois ministros discutiram “passos adicionais para alcançar uma solução” aceitável para todos os lados, mas não houve relato de progresso imediato.

Intervenção gerou resposta inesperada

A crise começou em 12 de outubro, quando o governo neerlandês anunciou uma decisão “altamente excepcional” de intervir na Nexperia, com sede na cidade de Nijmegen. O Ministério da Economia do país justificou a medida argumentando que “conhecimento e capacidades tecnológicas cruciais” corriam o risco de serem perdidos para a China, e que essa perda poderia “representar um risco para a segurança econômica neerlandesa e europeia”.

Amparado em uma lei de 1952, o governo dos Países Baixos proibiu a Nexperia de fazer qualquer alteração em seus ativos, propriedade intelectual, operações comerciais ou nos funcionários por um ano. O ministério dos Países Baixos determinou que pode bloquear ou reverter decisões da empresa. A produção foi mantida regularmente.

Segundo fontes neerlandesas citadas pela mídia local EW, a intervenção foi motivada por “sérios sinais de deficiências de gestão” que representariam “uma ameaça aguda e séria à continuidade da empresa e, portanto, à preservação de conhecimento tecnológico crucial”.

A intervenção do governo neerlandês também é consequência da política de sanções unilaterais dos Estados Unidos. Segundo consta da decisão judicial da Ondernemingskamer (Câmara Empresarial do Tribunal de Apelação de Amsterdã), a controladora chinesa Wingtech foi incluída na Entity List dos Estados Unidos, uma lista que impõe severas restrições comerciais a empresas consideradas risco à segurança nacional estadunidense. O tribunal registra que em junho de 2025 os ministérios neerlandeses de Relações Exteriores e Assuntos Econômicos informaram a Nexperia sobre a possível aplicação da “50%-rule”.

Essa regra estende as sanções a subsidiárias quando a controladora possui 50% ou mais de participação. A aplicação dessa regra significaria que a Nexperia, apesar de ser uma empresa juridicamente neerlandesa, ficaria impedida de comprar tecnologia e componentes estadunidenses, fazer negócios com empresas estadunidenses e acessar equipamentos essenciais para fabricação de chips, o que representaria “grande impacto negativo” nas operações da companhia, conforme descrito no processo judicial.

Wang Wentao também conversou na terça-feira com o comissário europeu para Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčović, a pedido do lado europeu, para discutir questões comerciais entre China e União Europeia, incluindo o caso Nexperia. Wang afirmou que a China se opõe à generalização do conceito de “segurança nacional” e instou os Países Baixos a aderirem ao espírito dos contratos e aos princípios de mercado para propor uma solução adequada.

Šefčović disse que a União Europeia está disposta a auxiliar os Países Baixos e a China, se necessário, no fortalecimento da comunicação para encontrar uma solução o mais breve possível. Houve acordo em realizar uma reunião sobre o mecanismo de diálogo de controle de exportações China-UE em Bruxelas o antes possível.

Editado por: Nathallia Fonseca

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