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ApexBrasil aposta na COP30 para impulsionar produtos amazônicos no mercado global

Agência investe em qualificação, feiras e rodadas de negócios para fortalecer exportações sustentáveis da Amazônia

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O Brasil concentra quase dois terços da Floresta Amazônica, segundo o Relatório Global sobre os Recursos Florestais 2020, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). De acordo com o mesmo estudo, o país, ao lado de Rússia e Canadá, abriga 61% das florestas primárias do planeta.

Ainda assim, no recorte de produtos “compatíveis com a floresta” – como castanha-do-Brasil, açaí, borracha e madeira de manejo – a presença brasileira no comércio mundial é baixa. Embora a presença brasileira ainda seja pequena, a ApexBrasil vem atuando para mudar esse cenário, com programas que ampliam a qualificação e conectam produtos sustentáveis da Amazônia ao mercado global.

Às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA) em novembro, a ApexBrasil quer mudar esse cenário.

A Agência aposta em programas de qualificação, ampliação de feiras e promoção de rodadas de negócios voltadas à bioeconomia. Ou seja, ao conjunto de atividades que geram renda a partir do uso sustentável da floresta e da biodiversidade da Amazônia com o intuito de elevar as exportações sustentáveis e apresentar resultados concretos durante a conferência climática.

“Para quem tem 30% das florestas no mundo, o Brasil tem uma participação muito pequena, menor do que 1%, no mercado mundial dos produtos compatíveis com a floresta”, afirmou Laudemir André Müller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil, em entrevista ao Brasil de Fato.

Considerando o comércio internacional total, a fatia brasileira nas exportações sustentáveis gira em torno de 1,5%, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC). A ApexBrasil tem intensificado ações para reverter o quadro de baixa participação brasileira, apoiando cooperativas e investindo na qualificação de empresas e no seu acesso a feiras internacionais.

Para a ApexBrasil, a sustentabilidade e a atividade econômica caminham juntas na Amazônia. “Vemos a sustentabilidade com pessoas, a floresta amazônica com pessoas. Manter a floresta em pé parte do pressuposto de olhar as pessoas que estão lá e fortalecer as atividades econômicas que a mantêm em pé”, disse Müller, que usa a castanha-do-Brasil para ilustrar a interdependência ecológica e produtiva.

“Para ter uma castanha-do-Brasil, você precisa ter a árvore. Para que essa árvore exista, você tem que ter a abelha mamangaba, que faz a polinização. Em geral, essa árvore é disseminada pela cutia, que espalha as sementes. Então, quando trazemos um comprador internacional e promovemos a castanha-do-Brasil, estamos automaticamente promovendo a floresta em pé”, explicou.

Essa narrativa, segundo o gerente, precisa chegar ao comprador. “Essa castanha é única. Ela só existe porque tem uma floresta. Ela é a própria floresta.”

Qualificar, ampliar oportunidades e aproximar o Brasil dos compradores internacionais

A ApexBrasil atua em três linhas principais para fortalecer a bioeconomia e as exportações amazônicas. A primeira é a qualificação de cooperativas da agricultura familiar, incluindo extrativistas e ribeirinhos, por meio do Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), que passou a ter uma modalidade exclusiva para esse público: o Peiex Classe Cooperativa da Agricultura Familiar.

A política se soma à reserva de cotas raciais e prioridade em feiras e editais para cooperativas com liderança feminina e com sede na região Norte.

A segunda frente é abrir espaço para esses empreendimentos em feiras internacionais. “Estivemos recentemente na Anuga, a maior feira mundial de alimentos e bebidas, na Alemanha. Lá, fizemos um espaço dedicado às cooperativas da agricultura familiar, o Family Farm no Brasil”, contou Müller.

Realizada entre 4 e 8 de outubro de 2025, em Colônia, a feira Anuga reuniu mais de 150 expositores brasileiros, sob coordenação da ApexBrasil e do Ministério da Agricultura. A Agência levou 27 cooperativas de agricultura familiar da Amazônia, que apresentaram produtos como mel, castanha, frutas nativas, cafés e derivados da mandioca.

A terceira estratégia é trazer os compradores ao Brasil, por meio do programa Exporta Mais Brasil, o que reduz custos e facilita o acesso das cooperativas ao mercado internacional. “É muito diferente uma cooperativa de açaí ou farinha de mandioca no interior do Acre ir para Rio Branco para uma rodada de negócios do que ir a Dubai. É muito mais simples e viável”, comparou.

O programa funciona com rodadas de negócios presenciais em que a ApexBrasil organiza encontros entre produtores brasileiros e importadores estrangeiros em cidades das regiões produtoras. As empresas participantes passam por uma pré-seleção e preparação técnica e os compradores são convidados pela Agência para conhecer os produtos locais e fechar negócios. O modelo tem edições temáticas, entre elas o Exporta Mais Amazônia, voltado à bioeconomia da região Norte.

Exporta Mais Amazônia bate recorde e amplia oportunidades globais

Entre 28 de setembro e 1º de outubro, a cidade de Rio Branco (AC) sediou a terceira edição do Exporta Mais Amazônia, que reuniu 25 compradores de 18 países e 76 empresas brasileiras de oito setores produtivos, entre eles açaí, artesanato, café robusta amazônico, castanha-do-Brasil e frutas processadas.

De acordo com a ApexBrasil, durante dois dias de rodadas de negócios, foram realizadas 337 reuniões bilaterais, que resultaram em R$ 101,5 milhões em expectativas de negócios (valor estimado de contratos e vendas futuras), o maior resultado de todas as edições com foco na Amazônia.

Desse total, R$ 10 milhões correspondem a contratos ou pedidos fechados durante o evento e R$ 91,5 milhões a negociações previstas para os próximos 12 meses. A China liderou o volume de negócios, com R$ 63 milhões, seguida pela Bulgária (R$ 8,5 milhões) e pelos Emirados Árabes Unidos (R$ 6,3 milhões).

Os compradores internacionais elogiaram a qualidade e a diversidade dos produtos amazônicos. Segundo uma nota da Agência, uma representante dos Países Baixos que buscava cafés de qualidade na Amazônia afirmou que encontrou também produtos inovadores, como o leite de castanha-do-Brasil e que ficou “muito inspirada e feliz” pela oportunidade.

A irlandesa Anigg Barrett também destacou a estrutura e o apoio oferecido aos produtores. “Estou muito impressionada com a organização e o apoio que os artesãos têm no Brasil. Sempre digo que outros países deveriam se inspirar no que o Brasil está fazendo”, declarou à ApexBrasil.

Da Amazônia para o mundo: os produtos com maior potencial de exportação

Entre os produtos com maior potencial de exportação, o gerente de Agronegócios da ApexBrasil cita o açaí, o cacau nativo da Amazônia, o café robusta, o mel orgânico, a madeira de manejo sustentável, o artesanato e o pirarucu pescado de forma sustentável por comunidades ribeirinhas na região amazônica.

A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), que atua com produtos da Amazônia oriundos do extrativismo, é apontada como um exemplo de expansão. “Está fazendo investimentos de R$ 60 milhões para trabalhar com frutas nativas da Amazônia, processadas para exportação”, informou o gerente da ApexBrasil.

Segundo ele, a Europa e os Estados Unidos são os mercados que mais remuneram produtos sustentáveis, “a ponto de às vezes pagar US$ 1 mil a mais por tonelada de mel orgânico, pelo fato de ele ser da floresta”, destacou. Já a Austrália aparece como um novo destino para produtos com “pegada de saudabilidade”, ou seja, com alto valor nutricional, como o açaí, a castanha e o cupuaçu.

Sustentabilidade e certificações

A ApexBrasil não certifica produtos, mas orienta e apoia financeiramente cooperativas que desejam se adequar às exigências internacionais. “A Europa valoriza muito o ‘fair trade’ [comércio justo, em tradução livre]. Se a empresa quiser se certificar, podemos apoiar, mas não somos uma certificadora”, esclarece Müller. Embora não atue como certificadora, a ApexBrasil desempenha um papel essencial ao apoiar financeiramente e orientar cooperativas na adequação às exigências internacionais.

Ele afirmou que a Agência busca aproximar os empreendimentos das demandas do mercado, especialmente em relação a produtos orgânicos e de comércio justo. “Quando a cooperativa vai se planejar, levamos essa mensagem: esses produtos têm mais demanda e, muitas vezes, pagam melhor”, afirmou.

Parcerias estratégicas e melhorias logísticas para ampliar o alcance das exportações amazônicas

A Agência também tem atuado em parceria com organizações nacionais e locais para ampliar o alcance das ações com foco em sustentabilidade. Muller cita a União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), a União das Cooperativas e dos Assentamentos da Reforma Agrária (Unicrab) e o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Extrativistas (CNS).

Em agosto de 2024, a ApexBrasil assinou um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério dos Transportes, voltado à atração de investimentos estrangeiros para os setores rodoviário e ferroviário. De acordo com o presidente da Agência, Jorge Viana, o objetivo é “reduzir os custos com logística e melhorar a competitividade”, facilitando a saída dos produtos amazônicos.

Projeções e novos instrumentos para elevar as exportações sustentáveis da Amazônia

Conforme a Agência, o comércio global de produtos compatíveis com o uso florestal sustentável movimenta cerca de US$ 150 bilhões por ano, mas Viana avalia que o Brasil ainda aproveita pouco esse potencial. “Os produtos amazônicos brasileiros têm uma participação de menos de 1% no mercado internacional”, reforçou.

Entre as metas, a ApexBrasil pretende fazer com que as exportações sustentáveis da Amazônia alcancem pelo menos o mesmo percentual que o Brasil tem nas exportações totais – cerca de 1,5% do mercado mundial (US$ 339 bi de US$ 24,3 tri, segundo dados de 2023 da OMC).

Outra frente é o apoio à criação de projetos de crédito de carbono voltados a comunidades extrativistas. “Queremos incentivar quem sempre manteve a floresta em pé a desenvolver bons projetos e levar esses créditos ao mercado internacional”, disse o gerente Laudemir Muller.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, acrescenta que a COP30 será um momento-chave para reforçar o papel do país como uma liderança ambiental. “A cúpula da ONU [Organização das Nações Unidas] é uma oportunidade de construir uma narrativa verdadeira sobre o potencial do Brasil. O país tem tudo para liderar a transição global para uma economia de baixo carbono”, afirmou.

Segundo a Agência, os resultados do Exporta Mais Amazônia e o avanço das iniciativas de qualificação e promoção internacional demonstram seu compromisso em transformar a bioeconomia em um motor real de desenvolvimento sustentável.

[Conteúdo patrocinado pela ApexBrasil.]

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