Tensão no Caribe

Delcy Rodríguez, vice de Maduro, quer rompimento de acordos de gás com Trinidad e Tobago

Pedido enviado pelo Ministério de Hidrocarbonetos ocorre após início de treinamento militar dos EUA em país vizinho

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Vice-presidenta da Venezuela Delcy Rodríguez assegura que sistema bancário foi afetado por um ataque terrorista | Crédito: Prensa Presidencial

Um dia após classificar a realização de exercícios militares dos Estados Unidos em Trindad e Tobago como uma “provocação hostil”, a vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, propôs a suspensão de todos os acordos que envolvem o comércio de gás entre as nações caribenhas.

Rodríguez informou que o Ministério de Hidrocarbonetos, pasta comandada por ela, e a diretoria da Petróleos da Venezuela (PDVSA), a estatal petroleira venezuelana, apresentaram ao presidente Nicolás Maduro “a denúncia do acordo de cooperação energética” assinado entre os países em 2015.

“Este é um território de paz, mas aqui chegaram submarinos nucleares para ameaçar a Venezuela. Por conta disso, esta diretoria, assim como sua operadora PDVSA, decidiu propor ao presidente Nicolás Maduro a denúncia imediata do acordo de cooperação energética entre a República de Trinidad e Tobago e a República Bolivariana da Venezuela e, consequentemente, que todos os acordos de gás que a Venezuela mantém com Trinidad e Tobago sejam suspensos”, disse, em declaração nesta segunda-feira (27).

Rodríguez alegou esta decisão se deve ao fato de a primeira-ministra da nação caribenha, Kamla Persad-Bissessar, “ter decidido se submeter à agenda belicista dos Estados Unidos para agredir um povo irmão”.

No domingo (26), o contratorpedeiro USS Gravely atracou em Porto Espanha, capital de Trinidad e Tobago, onde os fuzileiros navais dos Estados Unidos vão realizar treinamento militar durante essa semana. A informação foi confirmada pelo ministério de Relações Exteriores do país caribenho.

“O Ministério das Relações Exteriores informa ao público que o USS Gravely visitará Trinidad e Tobago de 26 a 30 de outubro, atracando em Porto de Espanha, enquanto a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos realizará treinamentos conjuntos com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago durante o mesmo período. A presença dos serviços militares dos EUA em Trinidad e Tobago destaca o compromisso dos Estados Unidos com a segurança regional e com os esforços de cooperação no Caribe”, diz o comunicado

No domingo (26), Delcy Rodríguez já havia emitido um comunicado criticando essa decisão. Em resposta, o governo do país caribenho afirmou que valoriza as relações com a Venezuela e que o treinamento tem o objetivo de combater o crime “transnacional”. “A visita do USS Gravely visa reforçar o combate ao crime transnacional e fortalecer a resiliência por meio de treinamentos, atividades humanitárias e cooperação em segurança. O governo reiterou que valoriza a relação deste país com o povo da Venezuela, dada nossa história compartilhada e os estreitos laços fraternais”, diz a nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago.

Reação religiosa

A Conferência Episcopal das Antilhas, congregação que reúne bispos e arcebispos da região do Caribe, emitiu um comunicado neste final de semana em que diz observar com “grave preocupação o recente aumento de ativos navais e outros recursos militares no Caribe Meridional.”

A congregação pediu diálogo, para reduzir as tensões geopolíticas e garantir a “paz duradoura”, e criticou a forma como o combate ao narcotráfico vem sendo conduzido na região. “O comércio de narcóticos continua a devastar as sociedades caribenhas. Contudo, a tomada arbitrária e injustificada de vida não pode ser justificada como meio de resolução. Tal ato viola a sacralidade da vida humana.”

Por fim, a entidade condenou o envio de aparelhos militares navais à região caribenha. Além do USS Gravely, que atracou em Porto Espanha, os Estados Unidos também anunciaram o deslocamento do porta-aviões USS Gerald Ford, classificado pela Marinha estadunidense como “a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo”, para as águas da América do Sul.

“A presença de navios de guerra e a perturbação dos meios de subsistência marinhos nas águas do nosso Caribe representam ameaças reais e imediatas à estabilidade regional e ao bem‑estar de nossas nações. Como povos unidos por uma herança compartilhada e identidade coletiva, devemos continuar a rejeitar a agressão e a intimidação como meios de resolver conflitos ou diferenças ideológicas”, diz a Conferência Episcopal das Antilhas.

Cooperação Rússia-Venezuela

Nesta segunda-feira (27), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um decreto que ratifica o acordo de associação estratégica e cooperação com a Venezuela. O tratado, que havia sido assinado pelos mandatários de ambas nações em maio deste ano, prevê, entre outros pontos, o incremento da cooperação militar entre os países.

Além disso, o acordo também tem o objetivo de fortalecer os laços comerciais e a cooperação energética entre Moscou e Caracas. O documento tem validade de dez anos e pode ser renovado automaticamente a cada cinco.

Editado por: Luís Indriunas

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