A recente aproximação entre o governo brasileiro e os Estados Unidos marca uma mudança importante na política externa, na avaliação da cientista política Luciana Santana, entrevistada pelo Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Há um caminho natural a ser seguido pela diplomacia brasileira, junto com o governo, de ter resultados positivos desse encontro. Acho que há agora uma situação de muito mais tranquilidade”, disse.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Malásia, neste domingo (26). O encontro ocorreu após meses de tensão comercial provocada pelas tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros. Trump elogiou a reunião, descrevendo-a como “muito boa”, e chegou a desejar feliz aniversário a Lula. São esperadas reuniões das equipes dos dois países nas próximas semanas para a construção de um acordo.
Para Santana, o gesto simboliza o esforço de Lula em restabelecer pontes após um período de distanciamento. “A foto [dos dois presidentes] que vimos durante todos os noticiários impacta a percepção da população. Há uma crença de que o governo foi primordial para restabelecer as relações com os Estados Unidos e abrir um caminho de diálogo”, afirmou.
A cientista política ponderou, no entanto, que o governo deve manter cautela diante da instabilidade de Donald Trump. “Pode haver recuo? Pode. Estamos falando de atores políticos com muita instabilidade. Mas há sinais de avanço, desde o primeiro contato na ONU [na Assembleia da Organização das Nações Unidas] até essa última reunião na Malásia”, avaliou.
Para ela, Trump também pode estar usando a aproximação com o Brasil como uma jogada estratégica para reduzir a autonomia diplomática de Lula e enfraquecer o equilíbrio que o Brasil vem tentando manter entre grandes potências, especialmente com a China. “Dar agora essa possibilidade de articulação entre os dois países pode servir de justificativa para reduzir as chances dessa abertura maior com outros mercados, principalmente com a China, que hoje é a grande potência mundial que disputa espaço político e comercial”, alertou.
A pesquisadora também destacou que os interesses estratégicos dos EUA em produtos como etanol e terras raras explicam parte da disposição em negociar. “São relações de toma-lá-dá-cá. O Brasil, neste momento, pode ser muito mais benéfico para os Estados Unidos do que o contrário”, completou.
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