Ataque hacker

Mais de 183 milhões de contas do Google vazam no Brasil; país é líder continental de crimes cibernéticos

Rodolfo Avelino critica concentração de poder nas mãos das big techs, que colocam em risco soberania digital dos países

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Professor explica que demora na divulgação do caso se explica pelo interesse dos criminosos em lucrar com informações
Professor explica que demora na divulgação do caso se explica pelo interesse dos criminosos em lucrar com informações | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O recente vazamento de mais de 183 milhões de senhas e credenciais de acesso de usuários do Google mostra a fragilidade da segurança digital no Brasil. Para o especialista em cibersegurança e professor do Insper Rodolfo Avelino, a demora de cinco meses na divulgação do caso beneficia os criminosos, que lucram com as informações até que o problema seja exposto.

“Quanto mais tempo isso fica oculto, ou não é divulgado, é o tempo em que os fraudadores e os criminosos têm para subtrair ou criar estratégias, sobretudo, para obter ganhos financeiros”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Avelino lembra que, de acordo com o Microsoft Digital Defense Report 2025, o país ocupa o terceiro lugar nas Américas em número de ataques cibernéticos e é o líder na América do Sul. “O brasileiro é o que mais tem conectividade aqui na América Latina. Isso, de fato, o torna, para quem vai fazer algum tipo de crime por meios digitais, o maior alvo”, explica.

Segundo o especialista, a combinação entre grande número de usuários e baixa qualidade de conexão, muitas vezes dependente de planos de internet pré-pagos, cria um ambiente propício para ações de hackers. “Temos grupos muito bem organizados e com muito recurso financiado, sobretudo por recursos ilícitos”, acrescenta.

Avelino também alerta para a concentração de infraestrutura digital nas mãos de poucas empresas, as chamadas big techs. “Cinco empresas americanas concentram mais de 72% da infraestrutura digital da internet. Qualquer abalo dentro dessa estrutura impacta países inteiros”, critica. Para ele, essa dependência compromete a soberania digital dos Estados, que deveriam garantir a segurança dos dados de seus cidadãos.

O professor sugere que a prevenção depende de uma responsabilidade compartilhada entre empresas e usuários. “Evitem senhas com dados pessoais, nomes de companheiros ou de pets. Mesmo que você não tenha confirmação de que sua senha foi vazada, mude. Não espere”, recomenda.

Ele também enfatiza a importância de políticas públicas e de uma cultura de segurança digital comunitária. “O crime se apropriou das tecnologias digitais e está muito organizado. É fundamental que o Estado promova informação e inclusão digital para que toda a sociedade compreenda a complexidade da internet”, defende.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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