Tragédia anunciada

‘Castro sabia que não tinham condição de encarar o CV’, diz mãe de Policial Civil morto em operação

Especialista em segurança pública observa que houve convocação de policiais inexperientes

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O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A mãe do Policial Civil Rodrigo Velloso Cabral, morto na megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão, criticou a governador Cláudio Castro (PL) por arriscar a vida dos policiais em confronto com o Comando Vermelho (CV). A operação mais letal da história do estado do Rio de Janeiro mobilizou 2,5 mil agentes.

“Os bandidos encurralaram ele, assim como o delegado [Bernardo Leal, internado em estado grave]. Aquele infeliz do Cláudio Castro sabia que os policiais não tinham condição de encarar o CV. Meu filho só tinha 40 dias de corporação”, disse à imprensa Débora Velloso Cabral. 

A declaração ocorreu no sepultamento do inspetor de polícia na última quarta-feira (29). Rodrigo Velloso Cabral tinha 34 anos e deixa esposa e uma filha. “Meu coração apertou quando falaram que um policial morreu. Quando apareceu o nome dele no noticiário entrei em desespero. Antes de ir ele disse: ‘Mamãe te amo. Volto em breve’. Meu filho era amor, meu filho era sorriso”, disse emocionada.

A especialista em segurança pública Jacqueline Muniz observa que os agentes convocados, em sua maioria, de fato não tinham qualificação para atuar em operações de alto risco. “Em boa medida, são policiais convencionais que tocam a rotina burocrática, investigativa e ostensiva, e não apresentam padrão elevado de tiro defensivo por modalidade de tiro policial e por tipo de armamento”, analisa.

Agente morto na operação tinha apenas 40 dias de matrícula na Polícia Civil. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Este improviso feito pela convocação de policiais sem expertise e preparo técnico adequado para operações policiais especiais amplificou as chances de letalidade e vitimização, entre policiais e civis. O que multiplicou a insegurança profissional e institucional, a oportunidade de balas achadas e/ou perdidas e de agentes expostos indevidamente. Isto revela a manipulação de policiais como mercadorias políticas e o barateamento de suas vidas tal qual a vida dos moradores das periferias de onde saíram a maioria dos agentes fluminenses”, escreveu a professora em artigo publicado no Brasil de Fato. Leia completo neste link.

Operação Contenção 

A operação para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes do CV na zona norte do Rio de Janeiro falhou em capturar seu principal alvo: Doca da Penha ou Urso, apontado como uma das lideranças do grupo armado.

Até o momento, a ação policial mais letal da história do Rio deixou 121 mortos, sendo quatro policiais. O governo do estado oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à prisão de Doca. 

Também foi morto o Policial Civil Marcus Vinicius Cardoso, de 55 anos, conhecido como Máskara. Na Polícia Civil desde 1999, ele havia sido promovido recentemente ao cargo de comissário. Foi enterrado na Ilha do Governador na quarta-feira (29).

A operação vitimou ainda outros dois policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar: Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca. Além deles, oito agentes ficaram feridos.

Em resposta à tragédia na segurança pública do Rio de Janeiro, o presidente Lula (PT) sancionou medidas que endurecem o combate ao crime organizado. A lei 15.245 de 2025 também amplia a proteção de agentes públicos envolvidos nesse enfrentamento, entre eles integrantes do Judiciário, do Ministério Público e de servidores da segurança.

*Com informações do jornal O Globo

Editado por: Clivia Mesquita

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