A violência na operação policial no Rio de Janeiro provocou reações em todo o país. Em Minas Gerais, movimentos populares convocam atos simultâneos nesta sexta-feira (31), em solidariedade às famílias das vítimas e em repúdio à política de extermínio nas favelas.
Na quarta-feira (29), moradores dos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, iniciaram a onda de protestos, em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, denunciando o que chamam de “carnificina comandada por Cláudio Castro”. A megaoperação policial nas favelas da zona norte da capital fluminense deixou mais de 130 mortos.
Protestos em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, o ato está marcado para às 17h, na Praça Sete, no centro da capital. O protesto afirma que “o massacre no Rio de Janeiro não é um ‘excesso’, mas é o projeto político da necropolítica em ação. O Estado não falhou em proteger: ele foi eficiente em matar”.
Os organizadores chamam estudantes, trabalhadores e toda a sociedade a se somarem ao ato.
“Enquanto o governo empilha corpos, nós empilhamos coragem. É hora de ocupar as ruas e dizer: chacina não é política de segurança”, afirmou, em nota, o Movimento Negro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos organizadores.
Mobilização em Juiz de Fora
Na Zona da Mata, em Juiz de Fora, movimentos populares, sindicatos e partidos realizam um protesto na Rua Halfeld, em frente ao Banco do Brasil, também às 17h. Em nota nas redes sociais, o Movimento Brasil Popular e o Levante Popular da Juventude, organizadores, repudiam a “reprodução do modelo histórico de violência de Estado” e criticam a moção de solidariedade à operação policial aprovada pela câmara municipal da cidade.
“Se o narcotráfico e as milícias crescem nas favelas, esse crescimento é consequência direta da ausência histórica de políticas públicas (de saúde, educação, creche, moradia, cultura e geração de trabalho) que há décadas não chegam a esses territórios”, defende o texto.
Ato em Ribeirão das Neves
Em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH (RMBH), o protesto ocorre na Praça de Justinópolis, às 17h30. Com o lema Nossas vidas importam!, o ato denuncia o massacre como parte de uma política racista e militarizada que transforma as favelas em territórios de guerra.
“O que aconteceu no Rio de Janeiro não foi isolado. Mais uma vez o Estado capitalista racista e fascista derrama o sangue do povo preto e pobre, tentando impor o medo e justificar milhões gastos em fuzis, caveirões e balas, enquanto falta comida, moradia e educação”, declarou, por meio das redes sociais, a Unidade Popular (UP).
“Se o combate fosse realmente às drogas e ao crime, iriam atrás de quem comanda o tráfico, invadiriam onde as drogas são produzidas e fechariam os bancos que lavam o dinheiro do tráfico”, finalizam.
O movimento reivindica, portanto, o fim das operações policiais nas favelas; a prisão de Cláudio Castro e toda a cadeia de comando da Polícia Militar no Rio de Janeiro e a desmilitarização da polícia.
As manifestações em Minas fazem parte de uma mobilização nacional que se espalha por diversas capitais, com o objetivo de pressionar o governo do Rio e denunciar o que movimentos sociais classificam como genocídio da população negra e periférica.
