A exposição Os Outros marca a estreia individual do pintor Gustavo Schossler, e será aberta no sábado (1º), das 11h às 13h, no Museu do Paço, localizado no prédio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A mostra reúne pinturas a óleo que exploram a presença e a ausência na história da arte, convidando o público a refletir sobre quem é digno de ser retratado.
Historicamente reservado a reis, militares e figuras idealizadas, o gênero do retrato ganha nova perspectiva na obra de Schossler. O artista volta seu olhar para pessoas que costumam permanecer fora do enquadramento dominante — pessoas albinas, homens e mulheres trans e um imigrante africano. Em suas telas, esses rostos e corpos ocupam o centro da imagem e trazem à tona questões sobre representação, visibilidade e pertencimento.
A alteridade como ponto de partida
A proposta de Schossler parte da ideia de alteridade como força criativa e humana. Suas pinturas não apenas registram rostos, mas criam relações entre artista, retratado e espectador. O encontro com o outro, segundo ele, permite questionar as fronteiras entre identidade e diferença. O público é convidado a observar além da aparência, deslocando o olhar e revendo percepções sobre si e sobre o mundo.
A artista visual Mariza Carpes, que acompanha o trabalho de Schossler, observa que suas obras exigem atenção prolongada e tempo de observação. Para ela, cada pintura revela camadas que instigam a descoberta de um universo complexo, em que detalhes e pinceladas ampliam o entendimento sobre o retratado e sobre o próprio ato de pintar.
Técnica e escuta no processo criativo
Formado em desenho e pintura no Studio Escalier, na França — onde também foi professor — e no Ryder Studio, nos Estados Unidos, Schossler insere-se na tradição do Clássico Contemporâneo, que combina técnicas de pintura transmitidas há séculos com temas e narrativas atuais.
As pessoas retratadas em Os Outros foram conhecidas pelo artista ao longo dos últimos anos, em encontros casuais, pelas redes sociais ou por indicações de amigos. A aproximação com cada uma delas é parte do processo criativo. Para Schossler, o contato direto e a escuta são fundamentais: ele busca retratar seus personagens de forma respeitosa, evitando transformá-los em representações estereotipadas.
A partir desses encontros, o artista propõe um espaço simbólico onde diferentes experiências de vida se tornam visíveis. A exposição, portanto, não se limita à técnica pictórica, mas aborda também o lugar social de quem é retratado e de quem observa.
Entre o local e o global
Antes da estreia individual em Porto Alegre, Schossler participou de exposições coletivas em instituições de relevância internacional, como a Herbert Smith Freehills Portrait Award, na National Portrait Gallery de Londres. A mostra Os Outros inaugura uma nova etapa de sua trajetória, marcada pela consolidação de uma identidade artística própria.
Mariza Carpes destaca que o artista amplia o alcance do retrato ao incluir pessoas de realidades diversas, criando um diálogo entre mundos distintos. Para ela, suas pinturas expressam um encontro entre o real e o simbólico, em que cada personagem é acolhido pelo olhar do pintor.
Com esta exposição, Schossler formaliza sua atuação em sua cidade natal, trazendo para o público local o resultado de uma pesquisa que une rigor técnico, observação atenta e reflexão sobre o humano. Os Outros permanece em exibição de 3 de novembro de 2025 a 16 de janeiro de 2026, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, no Museu do Paço (Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico de Porto Alegre). A entrada é gratuita.
