VIOLÊNCIA

A carne mais barata do mercado no Rio e em Gaza

'O capitalismo, em sua versão neoliberal e fascista, segue produzindo vítimas entre os mais pobres e marginalizados'

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Moradores dos Complexos do Alemão e da Penha fizeram um protesto em frente a sede do governo do estado | Crédito: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No dia 29 de outubro de 2025, no Rio de Janeiro, fomos novamente confrontados com a realidade de uma sociedade que segue marcada por injustiças que se repetem e se aprofundam. Entre manifestações e discursos de ódio, o racismo estrutural mostrou mais uma vez como molda nossa forma de ver o outro.

Assim como os palestinos em Gaza, criminalizados por resistirem há décadas a um sistema de opressão, moradores das favelas brasileiras, majoritariamente negros e pobres, são rotulados de criminosos apenas por sua origem social.

A mesma lógica que silencia e desumaniza palestinos se repete nas periferias do Rio ou em qualquer outra grande cidade brasileira através da criminalização que reforça estereótipos e justifica a repressão.

Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: o apagamento de vidas e histórias sob o peso do medo e da violência institucional. Enquanto palestinos são chamados de terroristas, de modo permanente, jovens negros das favelas são caçados como suspeitos. A retórica da “segurança” serve apenas para legitimar a barbárie.

Por trás desse enredo, o capitalismo, em sua versão neoliberal e fascista, segue produzindo vítimas entre os mais pobres e marginalizados. Seja em Gaza ou no Complexo do Alemão, a carne mais barata do mercado continua sendo a de homens, mulheres e crianças julgados pela cor da sua pele, por sua fé ou sua cultura, considerados inferiores aos olhos de um mundo supostamente civilizado. Liberdade, justiça e dignidade seguem distantes, sufocadas por estigmas que dividem e matam.

É urgente romper esse ciclo de violência simbólica e material. Precisamos reconhecer as semelhanças dessas opressões e lutar por um mundo onde todos tenham seus direitos respeitados, independentemente de origem, raça ou território.

Nenhuma mãe palestina, brasileira, africana ou latinoamericana deve mais chorar por um filho morto pelas forças do Estado.

Ao final, quem se desumaniza são aqueles que naturalizam e legitimam a violência contra esses segmentos sociais a pretexto de estabelecer um suposto controle social que nada mais significa que a perpetuação do racismo e da opressão.

*Fabiano Zalazar é servidor público estadual e Secretário Geral do Sindjus-RS

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Marcelo Ferreira

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