Na madrugada de quinta-feira (30), um incêndio destruiu a casa que servia de base para o Santuário Voz Animal, em Eldorado do Sul. No local, viviam os pais de Fernanda, responsável pelo projeto, e eram abrigados cães e gatos em situação de vulnerabilidade. Com a força das chamas, a estrutura foi totalmente destruída. Agora, o projeto, que abriga cerca de 300 animais, reúne forças para seguir realizando o seu trabalho e busca ajuda financeira através de doações.
O Santuário Voz Animal é uma instituição sem fins lucrativos idealizada por Fernanda Ellwanger de Lima e localizada no sítio de sua família, a cerca de 50 km de Porto Alegre. Há 17 anos, a família acolhe animais em situação de carência e, há oito, a iniciativa se estruturou como projeto.
Atualmente, o local abriga cerca de 300 animais entre cães, gatos, porcos, vacas, cavalos, jumentos, ovelhas e aves de diferentes espécies, todos vítimas de abandono, maus-tratos ou resgatados da indústria pecuária. O projeto se mantém exclusivamente por meio de doações e do trabalho de voluntários.
Após anos dedicados ao acolhimento de animais, o santuário enfrentou nesta semana um dos momentos mais difíceis de sua história. Na madrugada de quarta (29) para quinta-feira (30), um incêndio causado por uma sobrecarga elétrica destruiu completamente a casa do sítio.
“A fiação já era velha e já não comportava mais a demanda que foi aumentando. E aí houve esse super aquecimento e o incêndio, que começou ali e foi tudo muito rápido. O teto era de PVC, material inflamável, isso favoreceu, facilitou o fogo”, relata Fernanda, responsável pelo Santuário Voz Animal.
Com o avanço das chamas, o Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu retirar os pais de Fernanda, moradores da casa, resgatar os animais e controlar o fogo. A maior parte dos bichos que estavam na residência e no pátio conseguiram sair, exceto uma gata chamada Eva, que faleceu, e outra que segue desaparecida.
“A Eva infelizmente faleceu muito cedo, tá sendo algo muito traumático elaborar isso”, relata Fernanda. “A minha mãe e o meu pai saíram literalmente só com a roupa do corpo da casa, para salvar a própria vida e dos animais”, conta.
Um abrigo provisório foi construído para os animais que viviam na área externa, enquanto os cães que estavam dentro da casa foram levados para um apartamento com os pais de Fernanda. “Agora tá o meu pai, minha mãe e oito cachorros num JK. Porque foi o que tínhamos para o momento”, diz.
Os móveis, objetos pessoais e itens do projeto foram todos consumidos pelo fogo. Com o teto totalmente destruído e danos estruturais nas paredes, Fernanda informou que um engenheiro civil fará uma avaliação para verificar se há possibilidade de reaproveitamento da construção.
Diante da destruição, o santuário pede principalmente apoio financeiro para a continuidade das atividades. As doações podem ser feitas pela chave PIX: s[email protected]. Os recursos serão usados para restabelecer a eletricidade e a água, a estruturação do abrigo provisório e a elaboração de um espaço para que uma funcionária possa permanecer no local durante a noite, o que antes era desempenhado pelos pais de Fernanda.
“Isso requer que a gente desembolse mais recursos financeiros e a nossa dificuldade já vinha de antes do incêndio. Nós também tivemos as enchentes de maio de 2024 e as dificuldades eram anteriores. Esses eventos pioraram a nossa situação. Então, a gente precisa muito de apoio no momento”, relata Fernanda.
Para a fundadora do projeto, o Santuário Voz Animal desempenha um papel de importância social, suprindo a ausência de políticas públicas voltadas à proteção animal. “Nós temos, além de cachorro e gato, que é mais comum em ONG de animais, nós temos porcos, vacas, cavalos, uma burrinha, bode, aves”, diz Fernanda. “Os animais, eles são uma causa considerada menos importante, menos significativa, enquanto, na verdade, eles são seres que sentem, que sofrem, que têm menos direitos. A gente precisa olhar para os animais, para os outros seres, como seres também dotados de direitos”, complementa.
