OPINIÃO

Minas é liberdade e resistência: a Copasa e a Cemig são do povo

Água e energia, quando viram mercadoria, deixam de ser direitos

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A PEC 24/2023, que já passou em primeiro turno na Assembleia Legislativa e volta à pauta nesta semana, quer acabar com o referendo popular | Crédito: Divulgação

O governo de Romeu Zema (Novo) tenta mudar, a todo custo, a Constituição Mineira para vender o que é do povo, como a Copasa, a Cemig e a Gasmig, empresas públicas construídas com o dinheiro e o suor dos mineiros, eficientes e lucrativas, que garantem água, energia e gás para milhões de famílias, bens básicos e essenciais para uma vida digna.

Talvez o governador não saiba que a bandeira de Minas é símbolo de luta e liberdade. Mesmo diante das dificuldades e da incerteza, Minas sempre foi sinônimo de coragem e resistência. É um estado rico, capaz de gerar desenvolvimento e igualdade — justamente porque essa riqueza pertence, em primeiro lugar, ao seu povo.

A PEC 24/2023, que já passou em primeiro turno na Assembleia Legislativa e volta à pauta nesta semana, quer acabar com o referendo popular — o direito da população de decidir sobre a venda das empresas públicas. Essa proposta não tem apoio da imensa maioria dos mineiros. Zema ignora o povo e tenta entregar ao mercado financeiro o nosso “ouro”, a nossa estratégia de vida, sem ouvir quem de fato é dono desse patrimônio.

As ruas de Minas já falaram — e falaram alto. Na capital e no interior, trabalhadores e trabalhadoras saíram às ruas no último sábado para dizer: a Copasa e a Cemig são do povo, e não estão à venda. A força que se viu nas manifestações mostrou que o povo mineiro tem memória, tem voz e tem coragem. Agora, cabe aos deputados escutarem essa voz e votarem ao lado do povo, não dos interesses do governador.

Esse ataque à democracia revela o tipo de governo que temos em Minas: voltado para os empresários, que recebem mais de R$ 25 bilhões em isenções fiscais, enquanto o funcionalismo público segue há anos sem reajuste. Um governo que se diz eficiente, mas que empurra a conta para os trabalhadores, para as famílias mais pobres e para os serviços públicos.

Privatizar empresas estratégicas é colocar o povo nas mãos do capital, que só pensa em lucro. Onde o saneamento e a energia foram privatizados, o resultado foi o mesmo: tarifas abusivas, atendimento precário, exclusão das comunidades mais pobres e demissões em massa. Água e energia, quando viram mercadoria, deixam de ser direitos e passam a ser privilégios.

A democracia não é um enfeite da Constituição — é o coração dela. Tirar do povo o direito de decidir sobre suas empresas é tirar o direito de escolher o próprio destino. É enfraquecer o Estado e trair os valores que fundaram Minas Gerais.

O povo já deu o seu recado. Agora é a Assembleia que será julgada pela história. Se os deputados tiverem juízo, votarão com o povo — e não com um governo que governa para poucos. Porque a água, a energia e o gás que movem este estado pertencem a todos. E nós não autorizamos a sua venda.

Emerson Andrada é coordenador-geral do Sindieletro-MG.

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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