CINEMA INDEPENDENTE

Abertura do FRAPA impulsiona ato pelo audiovisual no Rio Grande do Sul

Pré-estreia de ‘O Agente Secreto’, com Kleber Mendonça Filho, colocou Porto Alegre no mapa de manifesto nacional

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A abertura do 13º Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre (FRAPA), na noite desta segunda-feira (3), foi grandiosa, à altura deste que é considerado o maior evento do gênero da escrita da América Latina. A organização trouxe à Capital dos gaúchos Kleber Mendonça Filho e equipe (entra ela, a atriz Alice Carvalho, que também é roteirista, como painelista) para a pré-estreia de O Agente Secreto.

As entidades locais do segmento resolveram aproveitar a visibilidade e grande quantidade de público que formou filas para as sessões gratuitas, na Cinemateca Capitólio e na Cinemateca Paulo Amorim, para se engajar ao movimento nacional pela defesa do audiovisual independente brasileiro.

Profissionais e apoiadores do cinema nacional se reuniram em quatro capitais brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre – em um ato público sobre a importância da regulamentação adequada do VOD (Video on Demand).

O movimento denunciou os retrocessos no relatório do PL 8889/17, apresentado à Câmara dos Deputados, que ameaça o financiamento público e a soberania cultural do setor ao favorecer grandes corporações de streaming estrangeiras.

Deputadas Jandira Feghali (mic) e Daiana Santos ao lado dos organizadores do festival, Leo Garcia e Mariana Müller – Foto: Vinicius Angeli

Em Porto Alegre, o ato reuniu artistas, realizadores, produtores e organizações em frente à Cinemateca Capitólio, em um gesto simbólico de resistência. Entre as presenças, destacaram-se: Thais Olivier, presidenta da Associação Brasileira de Autores Roteiristas (em Porto Alegre, especialmente para o FRAPA); Paola Mallmann, presidenta da Fundacine; Diego Tafarel, cineasta e diretor do Santa Cruz Festival de Cinema (outro participante do festival); Rafa Ferretti, gestor do Metropolitano RS Ecossistema Audiovisual; representantes da produtora Casa de Cinema, o produtor e roteirista Pedro Guindani e as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB) e Daiana Santos (PCdoB), defensoras históricas da cultura brasileira e dos direitos humanos, que viajaram pelo país no dia de ontem (3) engajadas nessa luta. 

A parlamentar gaúcha reforçou a importância de o povo brasileiro entender como se dá esse processo de votação dentro do Congresso e o papel econômico do audiovisual, que gera milhares de postos de trabalho. Daiana Santos ainda fez questão de registrar a quantidade de pessoas na calçada esperando para ver um filme no cinema, que isso também é resultado das políticas públicas, “ferramentas das lutas que precisamos travar juntos e juntas”.

Já a deputada do Rio de Janeiro destacou a excelência do nosso cinema (a exemplo de Ainda estou aqui, premiado no Oscar, e o próprio O Agente Secreto, que pleiteia uma vaga nesta premiação em 2026) “que hoje não deve nada a ninguém” e também é feito por empresas de pequeno e médio porte.

As parlamentares ainda fizeram uma fala aos espectadores (com nomes como Jorge Furtado, Nora Goulart, Ana Luiza Azevedo, Giba Assis Brasil, Ana Moura) dentro da Capitólio, antes da sessão do longa de Kleber Mendonça Filho, que se aliou à pauta.

Abertura do FRAPA também teve pré-estreia de O Agente Secreto na Cinemateca Paulo Amorim – Foto: Vinicius Angeli

Mais de 1.200 profissionais do setor já assinaram a carta-manifesto que pede a rejeição do relatório e a retomada de uma regulação justa, democrática e comprometida com a produção independente nacional. Um dos cartazes no ato em Porto Alegre chamava a atenção: “Streaming não faz cinema gaúcho”.

“A forma como está sendo proposto esse PL diminui bastante a nossa capacidade de produção independente. O audiovisual do estado vai ficar bastante comprometido. Corremos o risco de que haja produtoras ‘laranjas’ que se submetam às demandas das empresas de streaming. Manter a produção de um cinema independente de forma equilibrada em todas as regiões do Brasil é de suma importância para conseguirmos manter o nosso cinema forte, como temos visto nos festivais, no Oscar, nos principais eventos do mundo”, explica Edu Rabin, presidente da Associação de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC-RS).

Editado por: Katia Marko

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