A proposta do Governo do Distrito Federal (GDF) de reduzir em mais de R$ 1,1 bilhão o orçamento da saúde, e cerca de R$ 900 milhões da educação, em 2026 gerou forte reação entre entidades e profissionais.
Em resposta, o Conselho Regional de Medicina (CRM-DF), o Conselho Regional de Psicologia (CRP-DF) e o Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfermeiro-DF) convocaram um ato público nesta quarta-feira (5), às 9h30, em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em defesa dos serviços públicos.
O corte projetado pelo GDF ocorre em meio ao reajuste de 18% concedido às forças de segurança do Distrito Federal, aprovado neste ano. Como os recursos das áreas de saúde, educação e segurança vêm do Fundo Constitucional do DF (FCDF), a correção salarial exigiu uma redistribuição do orçamento. Com isso, os valores inicialmente previstos para os setores de saúde e educação acabaram reduzidos, comprometendo a capacidade de investimento nessas áreas em 2026.
A mudança orçamentária foi formalizada em uma minuta de projeto de lei enviada pelo GDF ao governo federal, que encaminhou a proposta ao Congresso Nacional. O texto prevê a revisão dos repasses do FCDF entre as três pastas. Enquanto o governo justifica a medida como necessária para manter o equilíbrio das contas, entidades da saúde e da educação alertam que a nova divisão pode agravar o subfinanciamento dos serviços públicos no DF.
A notícia dos cortes foi recebida com indignação por representantes da saúde, que alertam para o impacto direto sobre o atendimento à população. Segundo as entidades, o sistema público já enfrenta sobrecarga, falta de pessoal e de estrutura, e qualquer redução orçamentária pode comprometer a continuidade de serviços essenciais.
Serviços ameaçados
Para Jorge Henrique, presidente do SindEnfermeiro-DF, o anúncio representa um grave retrocesso e ameaça o direito dos cidadãos a uma assistência digna. Ele destaca que a rede pública “já funciona no limite”, com déficit de profissionais e sobrecarga em todas as unidades, e que retirar recursos nesse cenário “é comprometer o atendimento, a qualidade e a segurança da assistência”.
O dirigente também critica o argumento de eficiência usado pelo governo para justificar o corte, afirmando que não há como melhorar os serviços sem fortalecer as equipes e as condições de trabalho. “Não é possível falar em eficiência cortando recursos de um setor essencial. O que o GDF precisa é investir em pessoal, estrutura e condições de trabalho e não impor mais precarização”, afirma.
A mobilização é organizada pela Frente em Defesa da Saúde no Distrito Federal, que reúne conselhos, sindicatos e movimentos sociais. A manifestação busca pressionar o governo a rever as prioridades orçamentárias e reafirmar o compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) e a educação pública.
O ato nesta quarta-feira (5) pede o cancelamento dos cortes e mais transparência na aplicação dos recursos. “Sem investimento, não há SUS que resista”, reforça o chamado da Frente. A concentração ocorre às 9h em frente à Câmara Legislativa (CLDF).
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