Desaparecidos

Avós argentinas da Praça de Maio instalam primeiro núcleo de busca no Uruguai

Avós pelo Direito à Identidade têm 40 núcleos na Argentina e atuam também na Espanha, Itália, França, EUA e Canadá

As Avós e as Mães da Praça de Maio é uma organização de direitos humanos que desempenhou papéis cruciais na busca por justiça e na defesa dos direitos das vítimas da ditadura militar | Crédito: Prensa CGT

A associação argentina Avós da Praça de Maio anunciou nesta segunda-feira (3) a instalação de um núcleo da Rede pelo Direito à Identidade da organização no Uruguai, onde a neta restituída Macarena Gelman afirmou acreditar que podem ser encontrados outros filhos de argentinos desaparecidos sequestrados pela ditadura. O lançamento ocorreu na presença do Presidente Yamandú Orsi.

Além de Orsi, o ato contou com a presença da vice-presidenta do Uruguai, Carolina Cosse, e outras autoridades. AAs netas restituídas Claudia Poblete e Macarena Gelman, bem como Carlos Solsona, pai de Marcela Solsona, também sequestrada, destacaram a importância de a organização incorporar esse novo núcleo.

De acordo com a agência de notícias EFE, Claudia Poblete disse no ato que as avós estão unidas ao Uruguai. “Há um vínculo entre nossos dois países que é muito forte e transcende a história e a geografia. Tem muito a ver também com as lutas, com todas essas mortes que compartilhamos e todas essas pessoas desaparecidas que ainda estamos procurando”, declarou.

A Rede Internacional pelo Direito à Identidade das Avós possui 40 núcleos em diferentes cidades da Argentina e também está presente na Espanha, Itália, França, Estados Unidos e Canadá, desempenhando um papel imprescindível nas buscas.

Poblete explicou que “o contato precoce entre os familiares de desaparecidos do Uruguai e as Avós criou um vínculo tão forte que fez com que tenha tanto sentido ter um núcleo da Rede no Uruguai”.

Foram encontradas pessoas desaparecidas na nos Países Baixos, na Espanha, nos Estados Unidos, no Brasil, no Chile e no Uruguai. Poblete destacou que a Rede “funciona como um sistema de acolhimento no qual as pessoas podem se aproximar quando têm dúvidas sobre sua identidade” e “como se se aproximasse das Avós, mas sem precisar viajar à Argentina”.

Por meio do núcleo de Montevidéu, as pessoas que tiverem dúvidas sobre sua identidade poderão acessar as instâncias responsáveis por investigar se são filhas de pessoas desaparecidas. Essas investigações são conduzidas, a partir do Poder Executivo argentino, pela Conadi. O Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG) é o responsável por conservar as amostras necessárias para determinar se uma pessoa é o neto ou a neta que as Avós estão procurando.

Editado por: Nathallia Fonseca

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