Após quase uma semana da passagem devastadora do furacão Melissa por Cuba — com áreas que ainda permanecem completamente alagadas — mais de 120 mil pessoas continuam em centros de evacuação ou abrigadas em casas de familiares.
Nesta terça-feira (4), onze moradores da localidade de Altagracia foram resgatados por equipes de emergência que seguem atuando na região, enquanto a cheia dos rios continua afetando diversas comunidades.
Classificado como “extremamente perigoso”, o furacão Melissa atingiu o país na madrugada da última quarta-feira. Durante quase sete horas, permaneceu sobre o território cubano, com ventos de até 200 quilômetros por hora e chuvas que ultrapassaram 400 milímetros em algumas regiões.
De acordo com dados preliminares do Conselho de Defesa Nacional, mais de 45 mil moradias foram parcial ou totalmente destruídas. Os sistemas de saúde e educação nas províncias orientais também foram gravemente afetados, com mais de 460 unidades médicas — entre hospitais, postos de saúde e farmácias — e mais de 1,5 mil escolas sofrendo danos severos.
Mais de 78 mil hectares de plantações foram perdidos, em um contexto de prolongada crise econômica, agravada ainda mais pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
Apesar da força do furacão, Cuba não registrou vítimas fatais até o momento. A ativação antecipada do sistema de evacuação em massa — que permitiu o deslocamento preventivo de mais de 800 mil pessoas das áreas de risco — evitou a perda de vidas humanas, mesmo diante das difíceis condições enfrentadas pelo país.
Solidariedade e reconstrução em andamento
Segundo estimativas iniciais das Nações Unidas, cerca de 700 mil pessoas — o equivalente a 20% da população das cinco províncias orientais afetadas — precisarão de apoio básico pelos próximos três meses. Nesse sentido, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciou que prestará assistência alimentar a aproximadamente 900 mil pessoas na ilha.

Em todo o país, foram lançadas amplas campanhas de solidariedade. Dos bairros e locais de trabalho às organizações juvenis e sindicais, a sociedade cubana respondeu massivamente ao chamado de apoio às vítimas.
“Antes mesmo da passagem do furacão, já sabíamos o que nos esperava”, relatou Estrella Brito, presidenta dos Comitês de Defesa da Revolução do município de Playa, ao Brasil de Fato. “Imediatamente convoquei e coloquei avisos no prédio, liguei para as casas. As pessoas foram colaborando; já é algo habitual. Todos estão muito impressionados, porque mesmo agora ainda estão sendo feitas evacuações, com pessoas correndo e salvando vidas. A situação tem sido muito triste e delicada”, acrescentou.
Melissa é o terceiro furacão a atingir Cuba nos últimos 12 meses. No final de 2024, os furacões Rafael e Óscar já haviam causado enormes danos e afetado seriamente o fornecimento de energia elétrica.
A participação da juventude tem sido especialmente ativa. Danhiz Díaz Pereira, presidente nacional do Movimento Juvenil Martiano, destacou que “Melissa, em meio à tragédia, representou a oportunidade de ativar a Brigada Juvenil do Centenário. No Oriente, nossos jovens compatriotas já colaboram nas tarefas de reconstrução e acompanham as autoridades locais. No restante do país, estamos reunindo doações e incentivando entre os mais jovens esse sentimento de solidariedade que nos caracteriza”.
Destruição no Caribe
Melissa, considerado o furacão mais potente a tocar terra no Caribe nos últimos 90 anos, também deixou graves consequências em outros países da região. No total, mais de seis milhões de pessoas foram afetadas e mais de 50 mortes foram registradas.
O furacão atingiu seis países caribenhos, sendo Jamaica, Haiti e Cuba os mais prejudicados. Segundo o PMA, cerca de seis milhões de pessoas nesses três territórios sofreram os efeitos de Melissa.
Na Jamaica, o governo confirmou pelo menos 32 mortes. O primeiro-ministro, Andrew Holness, afirmou que “comunidades inteiras foram devastadas” e descreveu a destruição como “sem precedentes em décadas”.
No Haiti, as autoridades relataram ao menos 31 mortos e 21 desaparecidos. As moradias e a infraestrutura ao longo da costa sul — a área mais afetada — ficaram praticamente destruídas.
