Audiovisual

Festival Nicho Novembro estreia 7ª edição em SP com foco histórico no cinema negro brasileiro

Evento gratuito reúne mais de 30 filmes e rodas de conversa em espaços culturais de São Paulo e online

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Festival Nicho Novembro 2025 será realizado de 6 a 9 de novembro
Festival Nicho Novembro 2025 será realizado de 6 a 9 de novembro | Crédito: Lucia Lima

A 7ª edição do Festival Nicho Novembro começa nesta quinta-feira (6), na cidade de São Paulo, destacando a produção do cinema negro brasileiro e promovendo debates sobre raça, gênero e políticas de representatividade no audiovisual. A curadoria do festival é inteiramente assinada por mulheres negras, e a programação é gratuita, com mais de 30 filmes, atividades presenciais e também online.

A diretora artística do evento e fundadora do Nicho 54, Fernanda Lomba, explica que o festival acompanha o lançamento da publicação Cinemateca Negra, um mapeamento inédito de filmes dirigidos por pessoas negras no país entre 1949 e 2022. “Nós nunca, na história do cinema brasileiro, conhecemos um mínimo de mapeamento, de reunião de diretores negros, diretores e diretoras negras na história do nosso país”, afirma, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Então vai ser uma edição bem histórica e bem recheada de muita descoberta”, prevê.

Além das exibições, o festival dá destaque às conversas públicas. “Nós estamos interessados, além de um festival de cinema, em repercutir conversas que engajem transformações sociais”, diz Lomba. Segundo ela, o formato busca romper hierarquias tradicionais entre palco e plateia. “Buscamos estimular que seja, de fato, um ambiente de conversa para envolver a todo o público”, explica.

Questionada sobre os entraves para a presença de pessoas negras em posições de liderança no audiovisual, a diretora aponta o impacto do racismo estrutural, mas insiste na necessidade de reforçar a noção de direito ao acesso e à criação. “O direito a produzir imagens, o direito a criar, a sonhar não é exclusivo de uma elite dominante”. pontua. Ela destaca que o trabalho do Nicho 54 está baseado na presença e não na falta. “Nós somos parte desse mercado”.

Fernanda Lomba também defende que mudanças significativas dependem do cumprimento das responsabilidades do Estado na promoção do setor. “As instituições devem observar o seu papel em lei, que é o de dar amplo acesso aos cidadãos”, defende, citando a necessidade de avanços em órgãos como o Ministério da Cultura, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A curadoria do festival é assinada por Daniela Giovanni Siqueira, Lorena Rocha e Mariana Queen Nwabasili, pesquisadoras envolvidas na própria publicação Cinemateca Negra. “São mulheres que estão nutrindo o nosso repertório, a nossa academia, a nossa referência brasileira de pensamentos muito férteis”, destaca.

A programação ocorrerá no Centro Cultural São Paulo (CCSP) de Vergueiro, no Itaú Cultural, no Instituto Moreira Salles (IMS) Paulista e na Cinemateca Brasileira, onde acontece a abertura nesta quinta, às 19h. A agenda também pode ser acessada online. “Programação 100% gratuita, aberta a todo mundo”, reforça Fernanda. O festival continua até domingo (9).

Serviço

7º Festival Nicho Novembro

  • De 6 a 9 de novembro
  • CCSP (Vergueiro), IMS Paulista, Itaú Cultural e Cinemateca Brasileira
  • Acesso online: nicho54.com.br
  • Entrada gratuita

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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