Durante a COP

‘Haverá diálogo direto com as forças de segurança’, diz Boulos durante encontro com Cúpula dos Povos em Belém

Mais de 10 mil pessoas devem se reunir em encontro paralelo à COP30, de 12 a 16 de novembro

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Boulos se coloca à disposição para garantir o que deve ser a maior participação social da história das Cúpulas dos Povos | Crédito: Mariana Castro/Brasil de Fato

Às vésperas de se tornar temporariamente a capital brasileira, Belém (PA) está movimentada com a presença do presidente Lula desde sábado (1), além da chegada de ministros que devem participar da Cúpula do Clima, encontro de líderes mundiais que antecede a COP30, nos dias 6 e 7 de novembro.

Na tarde desta terça-feira (4), o recém-empossado Secretário Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, priorizou agenda com movimentos sociais e organizações que constroem a Cúpula dos Povos, evento autônomo e paralelo à COP, organizado por mais de mil organizações e movimentos populares de todo o mundo que vai acontecer de 12 a 16 de novembro.

“Ele [Lula] assegurou para mim que o trato com a Cúpula, com a Aldeia COP e com o conjunto dos movimentos sociais que vão atuar aqui será feito pela Secretaria Geral da Presidência da República de maneira civil, direta e com diálogo. É logico que as forças de segurança vão estar, porque é um evento Internacional, mas vamos estar em diálogo direto nesse processo”, declarou Boulos ao discutir a implantação da Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Integrante da coordenação nacional do Movimento Sem Terra (MST), Ayala Ferreira conduziu o diálogo, que contou com a presença de mais de 20 organizações que compõem a comissão política de construção da Cúpula.

“Além de dar as boas-vindas, apresentamos o que foi esse percurso de mais de dois anos de construção da Cúpula dos Povos, apresentamos o que chamamos de preocupações. Chamamos atenção de que o governo tem que trabalhar junto com os movimentos para garantir essa participação da melhor forma possível. Mobilização social não é caso de polícia, é caso de governo, de diálogo com a sociedade, aquilo que a gente chama de construção, defesa da democracia e da participação popular”, declara Ayala.

Em relação à segurança, o coordenador-geral da Terra de Direitos e membro da Comissão Política da Cúpula, Darci Frigo, reforçou a preocupação das organizações a respeito da abrangência do emprego das Forças Armadas, que vai muito além da região de Belém.

“Com o decreto da GLO ficamos muito preocupados com a abrangência, que envolve Tucuri, Altamira, áreas fluviais e muitas outras regiões. Precisamos saber como vai ser tratada essa questão pelo governo federal”, explicou Frigo, observando que “garantir os direitos às manifestações é fundamental”.

Mais de 1.100 organizações compõem a Cúpula dos Povos, espaço autônomo de participação social durante a COP30. – João Paulo Guimarães / GTA

A Cúpula dos Povos deve reunir mais de dez mil pessoas, com programação intensa que envolve atividades culturais, intervenções e plenárias a partir de eixos que envolvem soberania alimentar, transição energética, combate ao racismo ambiental e às falsas soluções apresentadas por grandes corporações.

Membro da Comissão Política da Cúpula e coordenadora do Núcleo Políticas e alternativas da Ong FASE, Maureen Santos destacou que a Cúpula deve deixar um legado para o Brasil e para o mundo.

“[Vamos deixar] não só um legado de mobilizações populares, mas para a política pública que os movimentos da sociedade civil acreditam”, disse ao citar como exemplo a Cozinha Solidária e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que serviram de modelo e de suporte à alimentação de cerca de dez mil participantes de delegações, que será oriundo, especialmente, dos territórios da agricultura familiar.

Editado por: Nathallia Fonseca

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