COP30

Ao defender reforma da ONU, Lula reivindica maior papel do Brasil na mediação de conflitos, aponta cientista político

Para Paulo Ramírez, fala na Cúpula mostrou limites do sistema multilateral atual e reivindicou Sul Global protagonista

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura da Sessão Plenária da Cúpula do Clima (COP30). Salão Plenário – Parque da Cidade, Belém (PA) Foto: Ricardo Stuckert / PR

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) reforçou críticas às limitações do multilateralismo e à estrutura de poder da Organização das Nações Unidas (ONU). Para o cientista político Paulo Niccoli Ramírez, a fala recoloca no centro do debate a necessidade de reformar o Conselho de Segurança e ampliar o papel de países em desenvolvimento na mediação de conflitos internacionais.

Segundo ele, o atual arranjo da ONU permanece preso à lógica criada após a Segunda Guerra Mundial. “Nós temos a questão que gira em torno do fato de que os Estados Unidos têm um veto sobre decisões que podem servir como instrumentos de paralisação de guerras”, afirmou. Ele destacou que esse poder tem sido usado sistematicamente em crises recentes. “Os Estados Unidos, por exemplo, no que diz respeito a Israel, em nenhum momento deixou de estar do lado de Israel no genocídio que foi cometido contra os palestinos”, completou.

Para Ramírez, ao apontar essas contradições, Lula buscou reivindicar um novo papel para o Brasil e para outras economias emergentes. “Essa fala de Lula, em primeiro lugar, tenta destacar a necessidade de uma reforma da ONU. Colocar mais países, principalmente em desenvolvimento, entre eles o Brasil, como intermediadores de conflitos internacionais”, disse. Ele acrescenta que o país não pode mais ocupar uma posição secundária. “O Brasil não pode mais ser coadjuvante, nem mesmo a Índia, a África do Sul e outros países que crescem de forma vertiginosa”, defendeu.

O professor lembra que o Conselho de Segurança nunca passou por uma reforma estrutural, desde 1945. “Até hoje, o Conselho de Segurança não passou por uma reforma e garante o veto dos Estados Unidos e o monopólio sobre a guerra e a paz no mundo inteiro”, criticou. Na sua avaliação, ao defender mudanças no sistema multilateral, Lula reforça uma demanda histórica de países do Sul Global por um maior equilíbrio e democratização das decisões que orientam a política internacional.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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