CUMPRIMENTO DA PENA

Com rejeição de recursos no STF, prisão de Bolsonaro se aproxima, mas não deve ocorrer nesta semana

Advogado criminalista avalia que STF não deve aceitar recursos protelatórios das defesas

Jair Bolsonaro em prisão domiciliar
Jair Bolsonaro foi preso neste sábado (22) após violar tornozeleira eletrônica | Crédito: Sérgio Lima/AFP

A negativa, por unanimidade, dos recursos da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Supremo Tribunal Federal (STF) caminha para declarar o trânsito em julgado, rejeitando a possibilidade de novos recursos, determinando, portanto, o início do cumprimento da pena dos réus, condenados por pertencerem ao Núcleo 1 da trama golpista. 

Até sexta-feira (14), o julgamento virtual dos recursos permanece “aberto”, mesmo que todos os ministros já tenham votado, respeitando, dessa forma, o prazo estipulado pelo regimento interno do STF. Após essa data, a Primeira Turma do Supremo deve publicar um acórdão, com o resumo dos votos dos ministros e a formalização da sentença. 

Thiago Ferreira, advogado criminalista, avalia que não é possível, ainda, cravar uma data para a prisão do ex-presidente, sobretudo porque, após a publicação do acórdão, a defesa poderá interpor os “embargos dos embargos”.

“Contra o acórdão do julgamento que está em curso, a defesa poderá opor novos embargos de declaração, os chamados embargos dos embargos. Trata-se de recurso mais limitado, uma vez que a omissão, contradição ou obscuridade que se pretenda sanar deve ser produto deste novo acórdão. A Primeira Turma segue sendo competente para a análise desse recurso”, pontua Ferreira, agregando que a prisão deve ocorrer até dezembro. 

“A defesa poderá, ainda, opor embargos infringentes, recurso manejado contra decisões não unânimes”, segue o advogado. “O entendimento do STF, porém, indica que este recurso só é cabível quando há pelo menos dois votos divergentes. No caso de Bolsonaro, apenas o ministro Luiz Fux divergiu. Na eventualidade de oposição deste recurso, a Primeira Turma sequer deve conhecer o pedido para julgamento”, completa. 

Na mesma linha, o analista político Hugo Albuquerque avalia que o STF não está isento de considerar o calendário político do país, sobretudo com a realização da COP30, em Belém

“Eu acredito que o Bolsonaro vai ser preso depois da COP. Acho muito difícil que ele seja preso durante a COP. Teria que ter um bom motivo para isso. É muito complexo isso daí que vai acontecer, mas eu ficaria surpreso de ele ser preso durante a COP, porque também tiraria o olhar do evento”, aponta Albuquerque. 

Caso o ministro relator considere que esses novos recursos são de caráter protelatório, ou seja, buscam atrasar o início do cumprimento da pena, a Primeira Turma pode decidir por encerrar o processo e declarar o trânsito em julgado, como explica Thiago Ferreira.

“É possível que a Primeira Turma do STF entenda que a oposição de novos embargos de declaração tenha o caráter meramente protelatório, com objetivo de obstar a prisão. Nesse caso, deverá haver a certificação do trânsito em julgado da condenação e o consequente início do cumprimento da pena imposta”, explica.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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