ANCESTRALIDADE

Existência, território e liberdade: mulheres negras reafirmam luta por reparação e fortalecimento na política

Evento reuniu em Porto Alegre referências por igualdade racial de diferentes partes do Rio Grande do Sul

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“Durante anos, éramos as únicas em determinados espaços. E nós não queremos ser a única, nem estar sozinhas em lugar nenhum”, afirmou Vilma Reis | Crédito: Foto: Rafa Dotti

“Essa é a nossa lição ao patriarcado, ao racismo e às certezas da esquerda branca. Somos nós que empurramos a esquerda branca para a esquerda. Onde nós chegarmos, vai ter revolução.” A afirmação foi feita pela socióloga e coordenadora de Diversidade, Equidade e Inclusão dos Correios, Vilma Reis, durante a mesa temática “Existência, Território e Liberdade – A voz das mulheres negras em movimento”, realizada na manhã do último sábado (8), em Porto Alegre (RS), durante o seminário “Caminhos de Resistência: Mulheres Negras e Quilombolas – Vozes e Territórios

O debate contou também com a participação da representante regional da Fundação Cultural Palmares no Rio Grande do Sul, Maria Conceição Lopes Fontoura; da socióloga Reginete Bispo e de Leilane Terezinha Barbosa, integrante do Comitê Estadual da Marcha das Mulheres Negras. O seminário “Caminhos de Resistência: Mulheres Negras e Quilombolas – Vozes e Territórios” foi organizado pelo Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ), por meio do Termo de Fomento nº 973281 do Ministério da Igualdade Racial, a partir de emenda da então deputada federal Reginete Bispo (PT-RS).

“A presença negra forjou o Rio Grande do Sul”

Maria Conceição Lopes Fontoura destacou a importância histórica e simbólica da presença negra na formação do estado e a retomada da representação regional da Fundação Palmares no Rio Grande do Sul. “Vivemos em um estado em que somos constantemente chamados a participar de atividades ligadas às culturas de origem europeia, a festa dos italianos, dos alemães, dos pomeranos. Mas o RS tem marcas profundas da presença de pessoas negras na sua construção”, afirmou.

Ela lembrou que cidades como Pelotas têm um percentual de população negra maior do que Porto Alegre e ressaltou que “aquela região foi forjada por corpos, mãos e mentes negras”.

Segundo Fontoura, é impossível pensar a história do país sem reconhecer o protagonismo das populações negras. “Quando o primeiro cavalo e o primeiro homem adentraram as terras de São Pedro, junto veio uma pessoa negra. Portanto, é impossível pensar o Rio Grande do Sul sem a presença negra”, disse.

Mesa fez parte do seminário “Caminhos de Resistência: Mulheres Negras e Quilombolas – Vozes e Territórios” – Foto: Rafa Dotti

Palmares

A representante recordou que a Fundação Cultural Palmares foi criada em 1988, no contexto da Constituição Cidadã, como resultado da luta do movimento negro. “A fundação nasce com a missão de trazer ao cenário nacional a riqueza da cultura de origem africana e afro-brasileira, reconhecendo os espaços de liberdade como os quilombos, que resistiram por cem anos em um país que ainda não tinha liberdade formal.”

Ao citar o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, Fontoura afirmou que visitar o local é uma experiência transformadora. “A gente sente aquela presença e pensa: ó povo valoroso do qual eu sou herdeira, muito obrigada pelo que fizeram. Que eu possa fazer algo digno de tudo aquilo que recebi.”

Ela também comemorou a transformação do 20 de novembro em feriado nacional. “É um feriado eminentemente negro. Oliveira Silveira foi um dos responsáveis por essa data, e a deputada Reginete Bispo teve papel fundamental na sua aprovação.”

A representante aproveitou para convocar o público à responsabilidade política. “Quando formos escolher pessoas para nos representar, que escolhamos corretamente, pessoas comprometidas com nossas causas e com a construção de uma sociedade justa. Não mais justa, apenas justa.”

Fontoura relatou ainda o processo de reconstrução da presença da Fundação Palmares no estado. “Estou realizando a segunda representação da fundação no Rio Grande do Sul. A primeira ocorreu no governo da presidenta Dilma. Depois, o órgão sofreu sérios ataques e tentativas de desmonte. Agora, com a ministra Margareth Menezes à frente da Cultura, busca-se fortalecer novamente as representações regionais.”

A nova representação está localizada na Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal, no prédio conhecido como Chocolatão em Porto Alegre. “Recebemos ali as pessoas para conversarmos, para ver como, juntas e juntos, fortalecemos esse espaço que é fundamental.”

“Quando formos escolher pessoas para nos representar, que escolhamos corretamente, pessoas comprometidas com nossas causas e com a construção de uma sociedade justa”, frisou Maria Conceição Lopes Fontoura – Foto: Rafa Dotti

Ela também relacionou o papel da Fundação Palmares com o contexto ambiental e climático, lembrando a COP30. “Enquanto lá se discute como preservar o planeta, aqui vivemos novamente as chuvas intensas. Isso mostra que é dentro do Brasil que as consequências estão acontecendo, e é fundamental que saibamos o que pensar e o que construir.”

Inspirando-se na música de Marietti Fialho, Fontoura fez um paralelo entre arte e ecologia: “O mar é a lata de lixo predileta. Nós sabemos que a terra e o território são sagrados para quem está aqui hoje. É fundamental que este país ouça com atenção e se identifique com os pleitos trazidos por mulheres negras, sobretudo as quilombolas.”

Encerrando sua fala, compartilhou um provérbio africano: “Se queres ser rápido, vá sozinha. Se queres ir mais longe, vá com outras pessoas”. E completou: “Sou aquariana, gosto de andar com outras pessoas. Quero caminhar junto, para que, quando vier outra representação, já tenhamos deixado marcas que mantenham o espaço vivo e melhorando”.

Mobilização para a Marcha das Mulheres Negras 2025

A integrante do comitê gaúcho da Marcha das Mulheres Negras, Leilane Terezinha Barbosa, iniciou sua fala pedindo licença “aos que vieram antes”, ressaltando a ancestralidade como fundamento da luta. “É uma honra estar compondo essa mesa com tantas mulheres potentes e ilustres”, afirmou.

Citando Wilson Simonal, “cada negro que for, mais um negro virá, para lutar com sangue ou não”, destacou a continuidade da resistência do povo negro. Barbosa anunciou que, em 25 de novembro de 2025, ocorrerá em Brasília a segunda Marcha das Mulheres Negras. “Em 2015, nós marchamos contra o racismo, contra a violência e pelo bem viver. Agora, em 2025, vamos marchar pela reparação e pelo bem viver. A reparação é buscar aquilo que nos foi tirado, principalmente a liberdade.”

Ela ressaltou as desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras. “Somos nós que sustentamos as famílias, que temos os menores salários, vivemos nas periferias, em subempregos. Mas somos seres pensantes, e sentimos tudo isso na pele, o racismo, a desvalorização, a coisificação.”

As mulheres negras somam cerca de 60 milhões de pessoas, o que representa 28,5% da população, segundo o relatório sobre desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Também estão no centro da economia: formam 28,4% da população economicamente ativa e são as principais responsáveis por chefiar as famílias brasileiras. Mesmo com esse papel central, continuam sendo as que menos recebem. De todo o rendimento produzido no país, apenas 16% chega às mãos das mulheres negras.

“Somos nós que sustentamos as famílias, que temos os menores salários, vivemos nas periferias, em subempregos. Mas somos seres pensantes, e sentimos tudo isso na pele”, enfatizou Leilane Terezinha Barbosa – Foto: Rafa Dotti

Segundo Barbosa, a marcha é um movimento coletivo, nacional e internacional, reconhecido por militantes negras em diversos países. “Todos os 27 estados do Brasil vão participar, organizados em comitês estaduais, municipais e regionais. Aqui no Rio Grande do Sul já temos 20 comitês atuando, e o comitê estadual é composto por 11 entidades.”

Ela contou que o primeiro encontro do comitê ocorreu em Pelotas, em formato de marcha. “Foi muito bonito. Depois tivemos encontros em Rio Grande, Tapes, no litoral, em quilombos e outros territórios que irão prestigiar a marcha.”

Dois ônibus sairão de Porto Alegre em direção a Brasília no dia 22 de novembro, com retorno após o ato. “As inscrições ficaram abertas por três meses e já temos mais de 100 mulheres inscritas. Contamos com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e do Psol, que disponibilizaram vagas em seus ônibus.”

A expectativa é de cerca de dez ônibus da região Sul, cada um com cerca de 40 mulheres. “É uma participação muito importante, para reivindicar nossos direitos e garantir que sejamos ouvidas.”

Legado de mulheres negras

“Meu nome é Vilma Reis. Nós aprendemos com uma grandona nossa, Lélia Gonzalez, que numa sociedade violentamente racista, misógina, baseada no ódio de classe, no etarismo e no capacitismo, mulheres como eu têm que ter nome e sobrenome. Senão, a opressão bota o nome que quiser na gente. São lições que aprendemos com Lélia e com outra grandona daqui do Rio Grande do Sul, Luiza Bairros,” ressaltou a coordenadorae Diversidade, Equidade e Inclusão dos Correios. Emocionada, lembrou Luiza Bairros: “Ela sempre será uma bem-lembrada entre nós”.

Reis relatou ter participado, em Brasília, de uma “fémenagem” à professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, homenageada com selo dos Correios. “O selo Petronilha Beatriz virou prêmio nacional no cumprimento da Lei 10.639, primeira lei aprovada pelo presidente Lula, em 9 de janeiro de 2003. Temos da professora Petronilha um parecer histórico que mudou a educação brasileira.”

Ela lembrou que a regulamentação da lei levou 21 anos. “Agora é política de Estado. O Ministério Público precisa se mexer para fazer cumprir nos estados e municípios.”

“Este é o tempo de pautarmos as demandas com base nas lições de nossas professoras de desobediência ao racismo”, frisou Vilma Reis – Foto: Rafa Dotti

“Nossos passos vêm de longe”

Ao citar a expressão que marca o movimento de mulheres negras, Reis evocou Beatriz Nascimento e Abdias Nascimento, reafirmando que “nossos passos vêm de longe”. Fez ainda um apelo de solidariedade às mães negras do Rio de Janeiro: “Elas precisam saber que não estão sozinhas. Este é o tempo de pautarmos as demandas com base nas lições de nossas professoras de desobediência ao racismo”.

A coordenadora lembrou a passagem da militante Elizabeth Ferreira Lopes (Beta), das Associações de Mulheres Negras (APNs) da Bahia, no dia 5 de novembro. “Grande Beta, de Vitória da Conquista. Com coragem, organizou, junto com Luiz Alberto, a Casa Quilombola para receber jovens das comunidades rurais negras.”

Segundo ela, o trabalho de Beta e das APNs foi decisivo para que jovens negras, como Marina Barbosa, da comunidade de Tremendal, conquistassem o direito de estudar. “Em 2005, Marina chegou a Salvador aprovada em dois vestibulares de medicina. Foi um trabalho de Beta, das APNs e das comunidades quilombolas.”

Bancada negra e reparação

A coordenadora ressaltou a importância da bancada negra no Congresso Nacional, hoje com 123 membros. “Quando chegarmos em Brasília de cabeça erguida, falando em reparação e bem viver, é porque somos dessa geração: cabeça erguida, picanha diagonal e nome e sobrenome, mais do que nunca.” Ao todo, cerca de 91 deputadas federais negras foram eleitas em 2022, número que representa 8% do Congresso Nacional.

Reis destacou que o movimento chega à capital do país com a tarefa de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2024, que prevê R$ 20 bilhões para políticas de igualdade racial. “E não é tirar dinheiro dos ministérios e fazer um bem bolado. Queremos mais 20 bilhões, além dos recursos existentes. É uma reparação simbólica.”

A coordenadora recordou momentos históricos da organização das mulheres negras. “Em 1999, quando Jurema Werneck e Maria Luísa Mendonça lançaram O livro da Saúde das Mulheres Negras, usaram o subtítulo Nossos Passos Vêm de Longe. Naquele momento, tínhamos organizado o 12º Encontro Nacional Feminista, em 1997, a primeira vez que mulheres negras dirigiram um encontro nacional. Éramos 12 mulheres. E 12 é a justiça”, conta.

Segundo ela, o grupo teve orientação de Luiza Bairros e Sueli Carneiro, e em seguida realizou, no Maranhão, a Jornada Lélia Gonzalez, quando convidaram Angela Davis ao Brasil, com apoio de Dulce Pereira, então presidenta da Fundação Cultural Palmares.

Reis citou ainda Maria Lúcia da Silva, do Instituto Amma Psique e Negritude, autora de um texto sobre “racismo por uma psicanálise atenta”. “Quero deixar esse texto como referência para aprofundarmos nosso trabalho em comunidades de base , nós que somos do candomblé, das pastorais, que acreditamos na igreja da saída e no caminho revolucionário das comunidades quilombolas.”

Titulação e dignidade

Reis reforçou a urgência de equipar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e acelerar a titulação de terras quilombolas. “Esse país tem dinheiro para tanta coisa. Precisamos que o Incra tenha recursos para pagar Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID) e laudos, e avançar na titulação. São as nossas vidas que estão em jogo.”

Ela destacou que mulheres entram na graduação mais tarde e disse que enquanto o país disser “essa é a primeira negra em alguma coisa”, ainda há algo a resolver. Também defendeu que mulheres negras ocupem o serviço público para terem “trabalho digno e carreira”. “Durante anos, éramos as únicas em determinados espaços. E nós não queremos ser a única, nem estar sozinhas em lugar nenhum”, afirmou.

“Nós vamos votar em mulheres negras”

Em tom de convocação política, Reis afirmou que a transformação estrutural passa pelo voto e pela construção de novas lideranças negras. “Marielle Franco nos deu o direito de nos anunciarmos defensoras de direitos humanos. Gostamos muito dos nossos companheiros, mas na próxima eleição nós vamos votar em mulheres negras.”

Para ela, o voto em mulheres negras é um gesto de resistência e desobediência. “Essa é a nossa lição ao patriarcado, ao racismo e às certezas da esquerda branca. Somos nós que empurramos a esquerda branca para a esquerda. Onde nós chegarmos, vai ter revolução.”

Encerrando, invocou as ancestrais: “Que Xangô nos dê caminho, que os orixás nos guiem e que as nossas guerreiras brasileiras sigam firmes. Viva o Grupo Palmares, que em 1972 nos deu o caminho de celebrar o 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Nós não fomos a Brasília para dar voltinha, onde nós chegarmos, vai ter revolução”.

“O 20 de novembro representa quem lutou por justiça e liberdade”

“Não há preservação verdadeira sem enfrentar o racismo ambiental”, afirmou Reginete Bispo – Foto: Rafa Dotti

Em sua intervenção, Reginete Bispo destacou que o feriado nacional do 20 de novembro é fruto de décadas de luta do movimento negro em um período de invisibilidade e negação de direitos. Segundo ela, o Dia da Consciência Negra foi construído coletivamente por militantes e organizações negras quando o Estado “nem reconhecia nossa existência”.

Reginete Bispo lembrou que, em 1971, um grupo de jovens negros de Porto Alegre, entre eles Oliveira Silveira e Maria Conceição, questionou o 13 de maio, data da abolição formal da escravidão, e propôs o 20 de novembro como marco da resistência. “O 13 de maio celebra o império. O 20 de novembro celebra Zumbi, Dandara e todos os que lutaram por liberdade”, afirmou.

Para ela, a abolição de 1888 “foi assinada para criminalizar ainda mais as pessoas negras”, enquanto o 20 de novembro simboliza a resistência e a organização do povo negro. A deputada destacou também que os quilombos eram redes articuladas, inclusive com o Caribe e as Antilhas. “Celebrar Palmares é celebrar a primeira república independente das Américas”, disse.

Relatora do projeto que tornou o 20 de novembro feriado nacional, Bispo lembrou que o texto enfrentou resistência de setores empresariais, que tentou barrar a lei sob o argumento de prejuízo econômico. “O 20 de novembro é o reconhecimento do Estado brasileiro de que o povo negro construiu este país”, ressaltou.

Socióloga, Bispo relacionou o debate sobre liberdade à realidade atual, denunciando o genocídio da juventude negra e a crise humanitária entre os Yanomami. “Boa vontade não basta: nossos meninos continuam sendo assassinados nas favelas e os povos indígenas seguem morrendo”, disse.

Crise civilizatória

Bispo também criticou o capitalismo verde e a colonialidade da sustentabilidade, que, segundo ela, repete as estruturas de exploração. “A economia verde é o mesmo colonialismo travestido de modernidade. Os saberes dos povos indígenas, quilombolas e de terreiro são apropriados para o marketing dos colonizadores.”

Para a socióloga, a crise climática é civilizatória, não apenas ecológica. “Não é a natureza que está em crise, é o modelo de sociedade que a transformou em mercadoria. O capitalismo verde é uma nova máscara do velho colonialismo.”

Ela denunciou ainda a exploração contínua das riquezas do Sul global e defendeu que reparação histórica é também justiça ambiental e racial. “Não há preservação verdadeira sem enfrentar o racismo ambiental. Queremos ser lembrados como guardiões da natureza, mas também queremos poder político, financiamento, tecnologia e educação. O futuro nasce nos nossos territórios”, afirmou.

Bispo destacou que as verdadeiras inovações vêm das comunidades que vivem em relação direta com a terra. “A verdadeira inovação não está nas cúpulas milionárias, mas nas comunidades que plantam, colhem e resistem.”

Ela defendeu a redistribuição de poder e a ampliação da representação negra nas eleições de 2026. “A transformação virá quando formos protagonistas. Temos de ampliar e consolidar uma bancada negra de verdade.”

Encerrando, conclamou à unidade das mulheres negras. “Precisamos romper o racismo que nos divide, eleger vereadoras, deputadas e senadoras, e construir uma bancada potente. Que Iemanjá nos oriente para seguirmos articuladas e fortes, protagonistas da transformação, como foram nossos ancestrais.”

Editado por: Marcelo Ferreira

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