Representantes de mais de 15 coletivos e organizações do movimento negro do Distrito Federal se uniram para organizar um ato no 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. O evento será na Casa da Democracia, no Setor Comercial Sul, e vai trazer como tema “Reparação e Bem Viver”. A atividade é organizada pelo Movimento Negro Unificado (MNU), que neste ano completa 45 anos de atuação no DF, e contará com feijoada, roda de samba, feira afro, apresentações culturais e falas políticas.
A coordenadora do MNU-DF, Brenna Vilanova, destacou que o 20 de Novembro deve ser de afirmação política e protagonismo do povo negro. Para ela, a data não se limita à celebração simbólica, mas representa uma oportunidade de reafirmar o papel histórico da população negra na construção do país.
“Precisamos ocupar as ruas e protagonizar nossa própria luta, com cultura e consciência política. Por reparação e bem viver! No dia 20 de novembro, iremos unificar nossa luta, e no dia 25, marcharemos com todas as mulheres negras”, afirmou Vilanova.
A coordenadora também ressaltou que, diante do cenário atual de violência contra a juventude negra, o ato precisa reafirmar o compromisso do movimento com a defesa da vida.
“Diante da chacina assistida que aconteceu no Rio de Janeiro, é inevitável não pautar o fim do genocídio da população negra em qualquer atividade, ato ou lugar que estivermos. Quando divulgamos o ato unificado, ele já vem com o tema contra o genocídio da população negra, por reparação e bem viver. Manifestamos nossa solidariedade às mães, às companheiras e irmãs negras que foram diretamente atingidas por mais esse capítulo de violência”, disse.
Juventude negra quer viver
Para a mobilização do ato, um dos pontos mais importantes é garantir a participação da juventude negra e periférica. Para os organizadores, é fundamental que o ato seja também um espaço de formação e fortalecimento político. Gabriel Sales, coordenador distrital do Projeto Jovens Defensores Populares, reforçou que o evento deve dialogar com a realidade vivida por jovens das periferias e escolas públicas, muitas vezes os mais impactados pelas desigualdades estruturais.
Ele destacou que “a necropolítica segue tentando capturar nossas juventudes, afogando-as em águas onde a morte não é apenas material, mas também subjetiva”, e afirmou que momentos como o 20 de Novembro “nos conectam à força da ancestralidade, uma energia que nos impulsiona a lutar pela dignidade e pela vida plena da juventude negra”.
Entre as lideranças presentes, o presidente do Clube Social Negro de Brasília, Heitor Perpétuo, reforçou o papel estratégico da capital federal na articulação das pautas do movimento negro e a importância de a comunidade negra do DF se organizar coletivamente.
Segundo ele, o local onde se decide o futuro político do país também deve ser de mobilização por reparação e equidade racial. “O país que mais recebeu pessoas negras na diáspora africana foi o Brasil, e Brasília é hoje o lugar que mais decide o futuro político do país. Estar aqui e se unificar enquanto movimento negro é influenciar diretamente as decisões que afetam nossas vidas”, afirmou Perpétuo.
O dirigente destacou ainda que a mobilização do 20 de Novembro é continuidade de uma longa história de resistência e articulação do movimento negro brasileiro. Ele lembrou que o próprio Dia da Consciência Negra nasceu de um clube social negro e se tornou feriado nacional a partir da atuação de organizações históricas como o MNU.
“O movimento negro de Brasília sempre teve grande participação no cenário nacional. Quando juntamos nossas entidades e coletivos, estamos dizendo que podemos e devemos fazer coro por uma força unificada. Falar em reparação, bem viver e descanso do racismo é também nos aquilombar, porque aqui há pessoas negras com poder de decisão que podem apoiar causas nacionais. Esse é o nosso papel histórico”, acrescentou o presidente do Clube Social Negro de Brasília.
Mobilização
Além das discussões políticas, a reunião também definiu a criação de grupos de trabalho voltados para mobilização, comunicação e logística do evento. Um dos encaminhamentos foi a elaboração de um Manifesto Político Coletivo que abordará temas como a PEC 27/2024 da Reparação Histórica, que propõe um fundo para políticas de reparação; o enfrentamento ao racismo institucional; e a representação de mulheres negras no Supremo Tribunal Federal (STF).
A expectativa dos organizadores é de ampla participação popular, especialmente porque o feriado do 20 de Novembro contará com transporte público gratuito no DF.
Serviço
Ato Unificado do 20 de Novembro no DF
Horário: 12h às 19h
Local: Casa da Democracia (Ed. Ceará, Setor Comercial Sul, Praça da Saída da Galeria dos Estados)
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