Belém (PA)

COP30 começa com desafios de infraestrutura e forte mobilização da juventude, relata ativista climática

Sociedade civil cobra metas mais ambiciosas e protagonismo da juventude em Belém (PA)

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Abertura da 30ª Conferência das Partes (COP30), em Belém
Abertura da 30ª Conferência das Partes (COP30), em Belém | Crédito: Antonio Scorza/COP30

A ativista climática Jahzara Oná relatou que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), começou com entusiasmo, mas também com críticas à infraestrutura do evento e com uma forte mobilização da sociedade civil.

“A sociedade civil já começou a se movimentar bastante em relação a isso, começamos a apontar essas problemáticas de infraestrutura na conferência. Mas, além de tudo isso, tivemos uma abertura significativa, e simbólica, ontem na conferência. Trouxe um quentinho para o coração da sociedade civil”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Segundo Oná, os movimentos populares querem garantir que esta seja uma “COP de implementação e inclusão”, com espaço para vozes de comunidades e territórios impactados. “Já começamos a ir nesse clima, de fazer pressão para as coisas começarem a andar e para que, desde o começo, esta se mostre uma COP de implementação e inclusão, mas também não deixando passar esses pontos que vêm incomodando a sociedade civil que está aqui presente”, disse.

Juventude e financiamento climático

A ativista destacou que a juventude tem um papel central nesta edição da conferência. “A sociedade civil está se mobilizando fortemente para se engajar e fazer essas marchas acontecerem, essa pressão e essa denúncia. Além de tudo, eu estou com uma programação de juventudes e crianças, o que tem sido super bacana porque esse também é um diálogo que vem sendo impulsionado da COP30: ser uma COP para as crianças e juventudes”, contou.

Ela também reforçou a necessidade de debater o financiamento climático e a participação da juventude nas negociações oficiais. “Tive diálogos para falar da importância de pautar também a juventude que está vulnerável ao racismo ambiental, que precisa ocupar esse espaço de COP e ter um lugar à mesa para apontar soluções que nascem no seu próprio território”, apontou.

Metas climáticas e racismo ambiental

A COP30 marca os dez anos do Acordo de Paris, e os países deveriam apresentar novas metas nacionais de redução de emissões. Para Jahzara Oná, a falta de ambição é preocupante. “Não foram todos os países que entregaram, o que é um grande problema porque mostra a falta de ambição das partes em relação à ação climática”, observou.

Ela acrescentou que temas como o racismo ambiental e a ecoansiedade estão ganhando destaque. “Acho que a sociedade civil já vem sendo bem engajada e entendendo o que esses conceitos significam ali na pontinha, mas isso vem chegando agora à mesa de negociação, principalmente pelo fato de estarmos na América Latina, no Brasil”, pontuou.

Amazônia urbana e os efeitos da chuva

Oná também comentou sobre os alagamentos que atingiram Belém no início da conferência. “O que aconteceu quando choveu, a dificuldade de se locomover de um lugar para o outro por conta da chuva, por conta do alagamento, acho que isso bate na pele e isso faz enxergar de uma forma mais sensível e entender o outro que está por ali”, indicou.

Para a ativista, a situação reforça a necessidade de olhar para toda a Amazônia, não apenas a floresta. “Isso também é um ponto muito importante da COP, que está acontecendo aqui em Belém, na Amazônia, das pessoas enxergarem que não existe só uma Amazônia que é a floresta, mas também existe a Amazônia urbana, que precisa ser vista, que precisa de apoio também”, defendeu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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