Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “cidade amiga da pessoa idosa”, São Paulo ainda está longe de garantir um envelhecimento digno e inclusivo para a sua população. A avaliação é do médico geriatra e consultor em longevidade Milton Crenitte, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Segundo ele, a certificação “é um selo de compromisso” e não um reconhecimento consolidado. “São Paulo se compromete, a partir desse selo, a desenvolver ações em prol em diversos eixos, pensando no envelhecimento ativo e em transformar São Paulo em uma cidade amigável às pessoas idosas”, explicou. No entanto, Crenitte destaca que “o passado dessa prefeitura e o presente dessa prefeitura não são compatíveis com essa certificação”.
O médico critica a terceirização da saúde e a falta de controle sobre as organizações sociais que gerenciam unidades públicas. “Mais da metade do orçamento da saúde de São Paulo vai para as organizações sociais. Falta governança, falta fiscalização para que possamos ter uma política de Estado que olhe para a questão do envelhecimento”, afirmou.
Crenitte também aponta a ausência de prioridade no orçamento municipal. “O que ouvimos às vezes na propaganda da prefeitura é que estamos investindo na pessoa idosa. Só que quando olhamos para o orçamento, isso não se configura na realidade”, avaliou. Ele cita o Programa de Acompanhamento do Idoso (PAI) como um exemplo. “É um programa muito bom, mas insuficiente diante da quantidade de pessoas idosas que existem”, disse.
Para o geriatra, a cidade precisa ir além de ações superficiais e investir em vínculos entre pacientes e profissionais de saúde. “Hoje essa terceirização faz com que a pessoa não tenha nem vínculo com o médico ou a equipe. As consultas duram 15, 20 minutos, e não se consegue desenvolver uma atenção integral”, lamentou.
Crenitte também faz um apelo em defesa dos trabalhadores da saúde pública. “Esses trabalhadores estão adoecendo por sobrecarga de trabalho. São eles que estão tentando aplicar os princípios do SUS [Sistema Único de Saúde], mas estão precarizados e demitidos por motivos políticos. Precisamos ouvi-los porque é com eles que vamos garantir a vida das pessoas idosas”, concluiu.
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