A Fundação Bienal do Mercosul apresentou sua nova diretoria, marcando o início de um processo de transição sob uma inédita copresidência, com Márcio Carvalho e Maria Fernanda de Lima Santin, na manhã desta segunda-feira (10), no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.
A proposta central da nova gestão é consolidar a entidade não apenas como realizadora de um evento bienal, mas sim como uma instituição de cunho permanente, capaz de se posicionar como uma plataforma de arte contemporânea de vanguarda na América do Sul.
A sucessão ocorre após a gestão da empresária Carmen Ferrão, que presidiu as duas últimas bienais em momentos considerados desafiadores: a 13ª em plena pandemia e a 14ª após a grande enchente de 2024. “A sucessão é algo muito importante na continuidade de qualquer projeto”, salientou Ferrão durante o encontro. Segundo ela, a continuidade visa fortalecer a fundação “independente das mostras que acontecem a cada dois anos”.
A nova copresidente Maria Santin expressou sua emoção. “Vamos honrar essa escolha, e fazer a Fundação Bienal seguindo aquilo que foi construído há 30 anos, dando nosso melhor.”
Márcio Carvalho explicou que o trabalho da nova gestão foi guiado inicialmente pelo método de escuta e diálogo, sintetizado no documento norteador “Escuta e Diálogo – Bases para a Gestão 2026-2028”.

Três eixos estratégicos para o triênio
O plano inicial da nova diretoria se estrutura em três eixos centrais e distintos que promovem um pacto de complementaridade e fortalecimento: Identidade Territorial, Fortalecimento do Calendário Cultural e Educativo Permanente.
Segundo a nova direção, o eixo da Identidade Territorial visa reforçar a mostra Bienal e demais projetos artísticos como uma expressão fundamental da identidade artística e cultural do território sul-americano. “A estratégia inicial é privilegiar o resgate da arte contemporânea dos países do Mercosul, considerando suas influências e formas de relacionamento.”
Como explica o documento, a intenção é construir uma visão coletiva com base no que foi vivenciado nos últimos 30 anos, com um olhar projetado para os próximos 30, objetivando fortalecer a visão de unidade do território. O foco é contribuir para a vanguarda da arte contemporânea da América do Sul, atraindo olhares e representando os movimentos regionais frente ao mundo. Este pilar também busca a valorização institucional e da cena artística regional, sempre em diálogo com artistas e instituições de outros territórios.
Já no eixo Fortalecimento do Calendário Cultural a estratégia é criar sinergia com outros eventos de arte e cultura nos níveis regional, nacional e internacional, a fim de fortalecer a Bienal do Mercosul. “O objetivo é proporcionar itinerâncias e transversalidade cultural, levando ações da fundação para outras cidades e, reciprocamente, recebendo iniciativas externas no Rio Grande do Sul.”
A gestão propõe reforçar a relação institucional com a Bienal de São Paulo e outros vetores culturais. Uma inovação é a proposta de desencaixar as bienais para evitar sobreposição de mostras e, simultaneamente, encaixar um calendário regional de eventos de ancoragem, como Portas para a Arte, Ocupações, Festivais de Arte, Noite dos Museus e Feira do Livro.
“O intuito é criar uma agenda potente e conjugada que culmine em uma grande apoteose cultural na primavera do Rio Grande do Sul. Com isso, busca-se ampliar o intercâmbio, fortalecendo Porto Alegre como um polo criativo e expressivo reconhecido pela produção artística e turismo cultural, indo além do evento que ocorre a cada dois anos”, explica Santin.
Reconhecido como pilar fundamental, o eixo Educativo Permanente busca reposicionar a fundação como fomentadora de projetos educativos contínuos, atuando ativamente no período entre as grandes mostras.
A meta é desenvolver palestras e debates com estudantes, público acadêmico, empresas e agentes do sistema das artes. Além disso, a fundação buscará se posicionar como nutridora de projetos sociais e educativos através da arte, contribuindo efetivamente para as ações de ESG (Ambiental, Social e Governança) no ecossistema empreendedor regional.
“O objetivo é ser um instrumento para a evolução do pensar subjetivo cidadão, acadêmico e empresarial por meio da arte e suas poéticas, mantendo um olhar para o Rio Grande do Sul, Brasil e América do Sul em diálogo com o restante do mundo”, conta Carvalho.
Posse da nova gestão
A solenidade oficial de posse da nova gestão está marcada para esta terça-feira (11), às 18h, no Museu de Arte Contemporânea do RS (MACRS).
Os copresidentes Márcio Carvalho e Maria Fernanda de Lima Santin já atuaram como presidentes da Associação de Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (AAMACRS) em gestões sequenciadas, período que viabilizou a construção da sede própria do MACRS – um sonho de mais de 30 anos.
Márcio Carvalho é arquiteto e sócio-fundador da Smart, além de atuar no Instituto Cultural Laje de Pedra. Maria Fernanda Santin é economista com MBAs e mestrado em Desenvolvimento Econômico, com experiência em docência e consultorias econômicas, sendo atualmente sócia da Galeria de Arte Contemporânea Clima.
A nova estrutura de governança da Fundação Bienal do Mercosul será organizada em núcleos de trabalho, visando otimizar a gestão e garantir o protagonismo entre as diretorias. A composição da nova diretoria inclui diretores como Ana Espíndola (Relações Institucionais com Mercado), André Jobim de Azevedo (Jurídico), André Venzon (Relações Institucionais Culturais), Jéssica De Carli (Educativo Permanente) e Vitor Ortiz (Relações Institucionais e Governamentais), entre outros especialistas.
Confira os nomes
Ana Espíndola – Relações Institucionais com Mercado
André Jobim de Azevedo – Jurídico
André Malcon- Ativação Transversal nas Artes
André Venzon – Relações Institucionais Culturais
Felipe Braga Corrêa – Administrativo-Financeiro
Gabriela Fontoura Brasil – Social Multifacetada
Gressiana Estevan – Planejamento e Comunicação
Jéssica De Carli – Educativo Permanente
Luciano Faraco – Produção e Projetos Especiais
Rodrigo Azevedo Pereira – Propriedade Intelectual
Vinícius Amorim – Ativação Urbana
Vitor Ortiz – Relações Institucionais e Governamentais
Agenda para o Triênio 2026-2028
A nova gestão já definiu uma agenda inicial de eventos:
2026: Realização da itinerância da 14ª Bienal do Mercosul para cidades do Rio Grande do Sul e Brasil.
2027: Realização do Seminário 30+30 e da Mostra 30+30 – Um olhar sobre 1997 / um olhar para 2057, em celebração aos 30 anos da primeira mostra, focando em retrospectiva e propósito futuro.
2028: Realização da 15ª Mostra Bienal do Mercosul.
