Solidariedade

Cuba recebe 2º navio venezuelano com alimentos para vítimas do furacão Melissa

Venezuela envia a Cuba mais de 7.500 toneladas de ajuda humanitária após a passagem do furacão Melissa

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Dois homens seguram o portão de uma casa danificada após a passagem do furacão Melissa na vila Boca de Dos Rios, na província de Santiago de Cuba, Cuba, em 30 de outubro de 2025 | Crédito: Yamil Lage / AFP)

Em meio aos intensos trabalhos de recuperação realizados em Cuba após a passagem devastadora do furacão Melissa, atracou nesta sexta-feira (14), no porto de Santiago de Cuba, o segundo navio de ajuda humanitária enviado pela Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba-TCP). A embarcação, vinda da Venezuela, transportou 2.531 toneladas de suprimentos destinados às áreas mais afetadas no leste do país.

A chegada desse carregamento se soma à do navio do Alba “Manuel Gual”, que aportou na última terça-feira (11) com 5.000 toneladas de ajuda, incluindo 102 contêineres com alimentos, medicamentos, água potável, roupas, colchões, brinquedos e material elétrico para apoiar a recuperação do sistema energético — uma das infraestruturas mais prejudicadas pelo furacão.

Além do apoio material, a Venezuela também enviou a Cuba uma equipe técnica composta por 22 especialistas em energia, transporte e obras públicas, que se juntaram às brigadas nacionais responsáveis pela restauração de serviços essenciais. A presença desses profissionais tem como objetivo acelerar a reconstrução nas regiões onde o furacão causou os maiores danos.

Uma “enorme” catástrofe

O impacto de Melissa foi classificado pela ONU como uma catástrofe “enorme”. Com o passar dos dias, as informações sobre os graves danos sofridos pelo país só aumentaram.

De acordo com atualizações divulgadas nesta quinta-feira (13), mais de 149 mil casas foram afetadas e cerca de 158 mil hectares de cultivos foram destruídos — um golpe particularmente severo para um país que já enfrenta uma profunda crise econômica e dificuldades de abastecimento.

O furacão atingiu o leste da ilha no final de outubro, causando danos significativos em cinco províncias: Guantánamo, Santiago de Cuba, Holguín, Granma e Las Tunas. Estima-se que mais de 3,5 milhões de pessoas tenham sido afetadas direta ou indiretamente pelos ventos e pelas inundações.

Uma família resgata pertences dos escombros de sua casa após o desabamento causado pelo furacão Melissa em Santiago de Cuba, Cuba, em 29 de outubro de 2025

Mais de duas semanas após a passagem do ciclone, na província de Santiago de Cuba — a segunda mais populosa do país — quase 60% do território segue sem fornecimento de energia elétrica. Ao mesmo tempo, os relatos de destruição em infraestrutura, moradias e sistemas produtivos continuam aumentando à medida que avançam as avaliações em campo.

A emergência sanitária também se tornou uma preocupação central. Vários municípios do leste foram colocados em estado de epidemia devido à propagação de arboviroses transmitidas por mosquitos — um risco ampliado pelo acúmulo de escombros, pela umidade persistente e pelas dificuldades no abastecimento de água potável.

Durante uma reunião recente do Conselho de Defesa Nacional, transmitida pela televisão estatal, o governo classificou a situação como “complexa e difícil”, destacando o agravamento nas moradias, estradas, serviços básicos e redes elétricas. As autoridades reforçaram a necessidade de coordenar esforços e priorizar os recursos disponíveis para atender a população mais afetada.

A passagem de Melissa marca o terceiro grande furacão a atingir Cuba nos últimos 12 meses. No final de 2024, os furacões Rafael e Oscar já haviam provocado danos substanciais e comprometido gravemente o fornecimento de energia elétrica, deixando um precedente de vulnerabilidade acumulada que agravou ainda mais os desafios atuais.

Editado por: Luís Indriunas

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