Em Belém (PA), uma coalização de seis organizações palestinas de bases ambientais e de direitos humanos convocam os movimentos de justiça climática, direitos humanos, sindicatos e solidariedade a agirem contra o genocídio realizado há quase dois anos por Israel.
O grupo tem participado dos espaços oficiais e não oficiais da 30ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP 30), com foco no diálogo com os movimentos de resistência em atividades paralelas, como a Cúpula dos Povos e COP do Povo. Para a jurista palestina e codiretora do Instituto Palestino de Diplomacia Pública (PIPD), Rula Shadeed, a conferência não atende às demandas da sociedade e é financiada pelos responsáveis pelas injustiças do mundo.
“É absurdo ver que na COP30 aqui na Amazônia, a maior parte das atividades e dos eventos em Belém são apoiados e financiados pelas corporações responsáveis pelas catástrofes impostas e que geram a crise climática, que não é uma crise, é um projeto, então nosso objetivo aqui é construir uma rede, dialogar com pessoas para mostrar que o sistema não funciona e que precisamos fazer nossos sistemas paralelos onde os povos oprimidos sejam ouvidos, pois no final das contas, os opressores são os mesmos”, explicou Shadeed ao Brasil de Fato.

Shadeed traz dados alarmantes de impactos do genocídio em curso contra o povo palestino, onde mais de 100 mil toneladas de bombas já foram lançadas, 80% das terras agrícolas de Gaza foram destruídas e foi registrada a contaminação generalizada do solo e da água.
“As 61 milhões de toneladas de escombros de Gaza contaminam o solo e temos uma profunda preocupação porque as pessoas não conseguem mais produzir alimentos, não conseguem trazer a vida, enquanto Israel continua violando o cessar fogo e impedimento a ajuda humanitária de entrar em Gaza”.
Em lágrimas, Shadeed fez ainda um depoimento emocionado durante o Tribunal dos Povos contra o Ecogenocídio, um tribunal organizado por movimentos populares que compõem a chamada COP do Povo ao destacar a trágica cena de escolas destruídas e a morte de educadores que poderiam garantir um futuro digno ao povo palestino.
Ao destacar que não há justiça climática sem a libertação da Palestina, a coalizão aponta que o genocídio contra o povo palestino é construído ao longo de 77 anos de colonialismo, limpeza étnica, apartheid e ocupação ilegal, que Israel tem sido autorizado a perpetrar contra eles através da cumplicidade de Estados e corporações, por isso acabar com a cumplicidade é o primeiro dever da solidariedade a ser concretizado.
Para eles, as empresas de energia, água e agronegócio são cúmplices diretas do genocídio ao povo palestino, pois fornecem combustível, carvão e tecnologias que fortalecem o que chamam de máquina de guerra, os assentamentos e o sistema de apartheid de Israel.

Entre as principais pautas trazidas ao Brasil pelos palestinos estão o pedido de embargo energético global, pressionando países a encerrarem todas as exportações de petróleo, carvão e combustível para Israel, o fim do apartheid da água, o fim da cumplicidade com o agronegócio e o banimento de Israel da COP30, que segundo a coalizão, “não deve ser legitimado como participante de uma conferência climática da ONU [Organização das Nações Unidas]”.
Ao destacar que “mães palestinas estão carregando seus bebês mortos”, a jornalista Soraya Misleh, da Frente Palestina de São Paulo, apontou o orgulho de estar junto a organizações populares do Brasil para o fortalecimento da resistência.
“Não interessa o que eles estão fazendo [na COP 30], eu escolho estar com vocês. Esse é o único caminho que temos, nos fortalecer juntos. Precisamos agir juntos porque eles nunca vão acabar com o nosso espírito, nunca vão acabar com as nossas vidas. Eles querem nos tirar do mapa, mas não vão conseguir, nós vamos resistir junto com vocês”, declarou Misleh.
