Na manhã desta sexta-feira (14), um novo protesto de movimentos populares marcou mais um dia de atividades da COP30, em Belém (PA). A manifestação mirou a Hydro, empresa de alumínio e energia, multinacional norueguesa acusada de múltiplos crimes ambientais, que discursou no evento. Entre os crimes cometidos pela empresa está o despejo de rejeitos tóxicos que contaminaram rios e igarapés na cidade de Barcarena (PA). O caso ocorreu pela primeira vez em 2009 e, em 2024, a empresa foi condenada pela Justiça Federal.
O ato ocorreu no espaço chamado Free Zone, área oficial da Conferência do Clima aberta ao público, onde grupos se esforçam no sentido de denunciar inconsistências nas soluções apresentadas pelas corporações e governos. Participaram movimentos como o Levante Popular da Juventude, RUA Juventude Anticapitalista e Afronte.
Os movimentos afirmam que o espaço da COP não pode ser protagonizado por quem destrói a natureza e ameaça a vida, mensagem essa que tem sido reforçada em diversos espaços autônomos, paralelos à conferência e protagonizado pela sociedade civil.
“A Hydro está hoje em um espaço da COP falando de uma suposta produção sustentável de alumínio, apresentando uma falsa solução para a crise que eles mesmo criaram, tudo para manter seus lucros a custo de muitas vidas, e a juventude veio escrachar esse modelo predatório que destrói nossos territórios, e também dizer que a construção de justiça climática e ambiental passa pelo povo, que temos o direito de decidir o modelo de produção que queremos”, aponta Marta Gomes, da coordenação do Levante Popular da Juventude.
Força nacional na COP30
Diante dos levantes populares que se espalham por toda a cidade de Belém durante a COP30, especialmente a tentativa de ocupação à chamada Blue Zone, área restrita de negociações oficiais, protagonizada por movimentos indígenas e organizações populares na noite de terça-feira (11), a Força Nacional e a Polícia Federal foram acionadas para reforçar o esquema de segurança.
Na manhã desta sexta-feira (14), a segurança foi reforçada a partir de um pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), que por meio de carta oficial ao presidente da COP30, apontou falha de estruturas e exigiu um plano para lidar com as manifestações.
Essa já é considerada a COP30 com maior incidência dos movimentos populares, diferente de outros países que sediaram o encontro e impediam a manifestação popular, seja em espaços oficiais ou espaços abertos ao público.
