Morde, assopra

Após protesto na COP, governo anuncia avanço na demarcação de duas terras Munduruku

Embora celebre avanço, lideranças indígenas seguem receosas com avanço de megaprojetos como Ferrogrão e hidrovias

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Munduruku
Belém (PA), 14/11/2025 – Indígenas Munduruku do Baixo Tapajós se reúnem com autoridades, entre elas o presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajaras, no auditório do Tribunal de Justiça de Belém. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Durante a COP30, o governo federal anunciou que está avançando na demarcação das Terras Indígenas (TIs) Sawré Muybu e Sawré Ba’pim, do povo Munduruku, no Pará. O comunicado foi feito pelas ministras Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima após protesto dos Mundukuru na sexta-feira (14).

Se tratam dos territórios Sawré Muybu, localizado nos municípios de Itaituba e Trairão, no Pará, e Sawré Ba’pim, em Itaituba, também no estado e considerada a capital do garimpo.

Na sexta, representantes do povo Munduruku realizaram um protesto na entrada da chamada Blue Zone da COP30, o local onde acontecem as reuniões e tratativas oficiais entre as autoridades do evento. Representantes indígenas garantiram, assim, uma reunião com o presidente da Conferência, André Corrêa do Lago, e as ministras.

Ao lado de Marina Silva, Sonia Guajajara enalteceu a ação dos indígenas e comunicou o avanço nas demarcações.

“É legítimo, esse manifesto é legítimo. Eles vieram aqui pedir esclarecimentos sobre a demarcação dos territórios. O processo demarcatório da Sawré Muybu já foi assinado pelo ministro [Ricardo] Lewandowski e o processo da Sawré Ba’pim está no Ministério da Justiça, em um pacote de terras indígenas que devem ser assinadas até o final deste ano.”

Apesar destas vitórias, lideranças Munduruku enfatizaram que a maior preocupação é em relação ao megaempreendimento conhecido como Ferrogrão, ferrovia que ligará o Mato Grosso ao Pará, impactando diversas terras, além de abrir novas fronteiras para desmatamento, alertam indígenas e diversos estudos.

Sobre isso, a ministra Marina Silva respondeu que a iniciativa não está avançando.

“Esse processo está judicializado. Quando foi apresentado o EIA/RIMA [Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental], estava muito ruim, o Ibama devolveu. Desde então, não foi reapresentado, mas a preocupação deles continua e é uma preocupação legítima.”

Outro ponto de pauta que motivou os protestos é o Decreto nº 12.600/2025, que institui o Plano Nacional de Hidrovias e elege os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como eixos prioritários para a navegação de cargas. 

Indígenas consideração o ato como uma privatização dos rios, além de ser um impulsionador de desmatamento nas regiões, por isso pedem a revogação do decreto.

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