Os países africanos vêm fortalecendo sua atuação na arena internacional por meio de grupos como o G20 e o Brics. Seus principais parceiros nessa estratégia são os Estados do Golfo Pérsico, que ampliam investimentos nas economias africanas. Essa cooperação também cria novas oportunidades para a Rússia, especialmente no desenvolvimento de rotas internacionais de transporte.
A avaliação é de Murad Sadygzade, presidente do Centro de Estudos do Oriente Médio e professor convidado da Academia Russa de Economia Nacional e Administração Pública sob o Presidente da Rússia, além do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou, instituição ligada ao Ministério das Relações Exteriores do país. Segundo ele, reconhecer o papel da África, especialmente da África do Sul, uma das lideranças do continente, é fundamental para consolidar uma ordem mundial multipolar.
“Entendemos que a África do Sul, como uma das nações mais influentes do continente, defenderá os interesses dos países africanos, em especial da União Africana. Esses Estados precisam ser ouvidos no cenário internacional, e o G20 se tornou um dos espaços que permitem apresentar suas posições”, afirmou.
O especialista destacou que o interesse dos países do Golfo na África não se limita ao campo econômico.
“O interesse das nações do Golfo […] tem relação com a busca por mercados atrativos, com condições favoráveis para crescimento e investimentos. […] Além disso, há um componente político evidente, voltado ao fortalecimento de sua presença na região”, explicou.
Sadygzade observa ainda que os países do Golfo adotam estratégias distintas para ampliar sua influência no continente. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, por exemplo, investem em grandes projetos de infraestrutura e tecnologia no Sudão e na Etiópia. Já o Catar segue outro caminho, concentrando-se em iniciativas humanitárias, como a construção de hospitais e escolas.
O avanço da cooperação entre África e países árabes cria novas oportunidades para o desenvolvimento de rotas e cadeias logísticas. Nesse contexto, a Rússia pode desempenhar um papel importante. De acordo com o especialista, o corredor internacional “Norte–Sul”, que passa pelo Irã e pelos países do Golfo, pode futuramente ser estendido até a África, facilitando o comércio entre os continentes.
