O neurocientista Miguel Nicolelis alertou na sexta-feira (14), em visita a Porto Alegre, que o vírus da covid-19 tem a capacidade de se reinventar e, por isso, a humanidade não pode baixar a guarda nem subestimar seus riscos. Segundo ele, os números oficiais de cerca de 700 mil mortes pela covid-19 estariam subestimados e o total real de vítimas deve ter ultrapassado 1 milhão no Brasil.
Em suas palavras, foi a crise humanitária mais profunda da história do país. E para que não se esqueça ele tem sugerido às Assembleias Legislativas a instituição do dia 11 de setembro como data de preservação da memória coletiva sobre o período.
Nicolelis esteve na capital gaúcha para lançar seu romance de ficção científica Ré volução no país do carnaval na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre que encerrou no domingo (16). Ele também foi recebido pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Pepe Vargas (PT).
A recepção ao neurocientista contou com a presença de representantes que atuaram na linha de frente durante a pandemia. Entre elas estavam a presidenta do Conselho Estadual de Saúde, Inara Ruas, a representante da Associação Vida e Justiça Rosângela Dornelles, a representante da Avico, Paola Falcetta, a representante da Associação de Mães e Pais pela Democracia, Aline Kerber, o médico e vereador de Porto Alegre Alexandre Bublitz e a coordenadora do Comitê Vacina Já, Ana Affonso.
O presidente da Casa, Pepe Vargas, lembrou que a Assembleia Legislativa, com o intuito de debater as sequelas da covid-19 e dar visibilidade ao tema, realizou audiências públicas em sete macrorregiões de saúde do Rio Grande do Sul. As atividades, promovidas pela Frente Parlamentar em Defesa das Vítimas da Covid-19, resultaram em um relatório com recomendações e contribuíram para a criação da Lei 16.131/2024, que oficializou 24 de março como o Dia da Memória das Vítimas da Covid-19 no estado. A data marca o primeiro óbito registrado pela doença no Rio Grande do Sul, em 2020.
Durante a pandemia da covid-19, Nicolelis se tornou uma liderança na defesa de medidas sanitárias rigorosas e atuou na coordenação do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, a convite dos governadores da região, com o objetivo de fornecer dados, análises e propor medidas de combate à pandemia para os nove estados da região. Referência mundial na neurociência, ele é reconhecido pela revista Scientific American como um dos 20 maiores cientistas da atualidade.
