PODE PERDER MAIORIA

Divulgação de arquivos de criminoso sexual pode ser maior desafio para presidência de Trump

Congresso estadunidense se prepara para votação decisiva sobre caso Epstein

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Professor da PUC-SP critica mediação de Trump e afirma que Washington é peça central no conflito
Trump tentou impedir a divulgação dos documentos | Crédito: Jonathan Ernst

Congressistas estadunidenses votam nesta terça-feira (18) se aprovam a divulgação dos arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein, no que analistas dizem que pode se tornar a maior crise desde o início da administração de Donald Trump. O presidente pressionou por meses contra a liberação dos documentos até desistir nos últimos dias, ao perceber que até sua base republicana votaria a favor do projeto de lei.

“Talvez o mais importante da libertação dos documentos Epstein nesse momento é ter provocado uma ruptura na coalizão de Trump. Durante os quatro anos do governo Biden, ele divulgou a ideia de que os arquivos continham provas de envolvimento de democratras no tráfico de menores”, disse ao Brasil de Fato o analista da Brown University James Green.

“Ele passou a bloquear a divulgação quando achou que os documentos o implicavam, o que gerou revolta e a pergunta: o que ele está escondendo?”, questiona.

Trump mudou de postura no domingo, quando ficou claro que cerca de 100 deputados de sua base republicana votariam pela divulgação dos arquivos.

“Os republicanos da Câmara deveriam votar pela divulgação dos arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder”, escreveu o magnata em sua plataforma Truth Social.

Amigos

O magnata e criminoso sexual Jeffrey Epstein se suicidou em sua cela em agosto de 2019, antes de enfrentar um julgamento federal por uma série de escândalos ligados à sua rede de menores de idade abusadas sexualmente por ele e alguns de seus convidados, em muitos casos personalidades mundiais. Os democratas, na oposição e em minoria no Congresso, agora exigem que todo o dossiê seja publicado, após a divulgação de e-mails de Epstein que mencionam Trump.

Nos documentos, que vieram à tona na última quinta-feira (13), o criminoso sexual sugeria que o mandatário “sabia sobre as garotas” e passou horas com uma das vítimas em sua casa.

Mas o presidente, que não enfrenta nenhuma investigação judicial por este caso, insistiu na sexta-feira (16) que não sabia de nada a respeito e contra-atacou exigindo uma investigação sobre a relação entre Epstein e algumas personalidades democratas, incluindo o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001).

Epstein e Trump eram próximos na década de 1980, quando ambos eram empresários importantes em Nova York, mas romperam relações no início dos anos 2000.

Maioria no Congresso

Os legisladores que apoiam a divulgação do material afirmam que o público merece respostas em um caso com mais de 1.000 supostas vítimas. Por outro lado, ativistas pró-Trump insistem que os arquivos devem expor democratas e figuras influentes.

Se o projeto de lei passar na Câmara dos Representantes, os democratas planejam uma campanha agressiva para pressionar os republicanos a levá-lo ao plenário do Senado, onde precisa de 60 votos para ser aprovado. Trump ainda pode tentar bloquear a divulgação dos arquivos, mas enterrar o projeto no Senado ou vetá-lo seria difícil de defender antes das eleições de meio de mandato, em 2026.

“Estou completamente de acordo”, disse Trump no Salão Oval na segunda-feira, quando os jornalistas questionaram se ele assinaria o texto para transformá-lo em lei caso fosse aprovado pelo Senado.

Green afirmou que o escândalo pode custar a Trump a maioria no Congresso nas eleições do ano que vem, já que sua base eleitoral, conservadora e sensível a escândalos sexuais, pode o abandonar.

“Se 1%, 2% ou 3% da base do Trump se decepciona com ele e resolvem não votar nas eleições em 2026, pode ser determinante nos resultados”, disse ele.

Editado por: Nathallia Fonseca

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