Em um novo capítulo da pressão psicológica exercida contra a Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, na terça-feira (18), que não descarta a possibilidade de enviar tropas ao país caribenho. Ao mesmo tempo, durante a mesma conversa com jornalistas no Salão Oval, Trump abriu as portas para o diálogo com o presidente Nicolás Maduro.
“Não, eu não descarto nada”, disse Trump, ao ser perguntado sobre a possibilidade do envio de tropas estadunidenses à Venezuela. Em seguida, ao ser perguntado sobre um eventual diálogo com Maduro, se mostrou aberto à possibilidade. “Eu provavelmente falaria com ele, sim. Eu falo com todo mundo.”
“Ele [Maduro] quer conversar. Estou aberto a conversar com ele”, disse, ao lado do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que desembarcou em Washington para uma visita oficial.
Um dia antes, na segunda-feira (17), Maduro pediu diálogo. “Este país está em paz e vai continuar em paz. Nos EUA, quem quiser conversar com a Venezuela vai conversar. Face to face [cara a cara, em português], sem nenhum problema”, disse, durante a transmissão do Con Maduro+, seu programa de televisão semanal.
Mais uma vez falando em inglês, para deixar claro que se dirigia às autoridades em Washington, o mandatário venezuelano ainda pediu “diálogo” e uma “ligação”.
Apesar de Trump sinalizar disposição a uma conversa, a pressão de seu governo sobre o país caribenho não dá trégua. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse, no domingo (16), que os EUA pretendem classificar o Cartel de Los Soles como uma organização terrorista, o que poderia abrir espaço para ações militares em território venezuelano.
Não há, no entanto, informações oficiais a respeito da existência desse suposto grupo criminoso. O governo dos Estados Unidos alegam que Nicolás Maduro seria o chefe desta organização. O grupo é apontado como uma invenção de Washington por analistas.
Sob a justificativa de combate ao narcotráfico, os Estados Unidos já atacaram, desde o início de setembro, mais de 20 embarcações no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Mais de 80 pessoas foram mortas.
