A Região Metropolitana do Recife está recebendo apresentações do Festival Circo Preto, com uma agenda que passa por Recife, Camaragibe e São Lourenço da Mata até o fim de novembro. São mais de 30 apresentações e oficinas ao longo de 15 dias, passando por escolas, parques e praças públicas, além de centros comunitários. O evento reúne artistas circenses do Pará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Paraná, além de Pernambuco.
Nesta quarta-feira (19), o Parque da Macaxeira recebe, a partir das 16 horas, a apresentação Moko, da trupe paulista Baião de Dois. Mais cedo, a Escola Estadual Jarbas Passarinho, no bairro de Cajueiro, zona oeste da capital, recebe O circo de todos, do Coletivo 3º Ato; e o Circo de Pulgas, do Palhaço Fio Dental. A abertura do festival aconteceu com uma apresentação do Mágico Alakazam na praça da Várzea, zona oeste do Recife, no último domingo (16).
Nesta quinta-feira (20), o Parque Camaragibe recebe, às 16 horas, a Varieté da Consciência Negra, reunindo os artistas Aranha, Palhaça Carambola, Jonauto Andrade, o Palhaço Cafuné e a Cia Gravidade Virtual. No sábado (22), a comunidade de Sete Mocambos, na Várzea, zona oeste do Recife, recebe o espetáculo Circo Trupiada, da Trupe Circuluz, às 17h30. Já no bairro da Macaxeira, zona norte, a Escola Pernambucana de Circo (EPC), recebe, às 19 horas, a apresentação Circo dus Dois, da Cia Gravidade Virtual. Mais cedo, das 9 horas ao meio-dia, a Cia Gravidade Virtual realiza uma oficina de manipulação de claves, também na EPC.
No domingo (23), o município de São Lourenço da Mata recebe o Circo Experimental Negro apresentando Parêia, às 17 horas, no Sesc. Na quarta-feira (25), o Parque Açude do Timbi recebe, às 16 horas, a peça Sem nome – O Desempregado, do Coletivo 3º Ato. E o Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, será palco dos espetáculos Magias Estarrecedoras, do Circo Rodado, na quinta-feira (27); e A saga de um palhaço sem lona, do Circo de Mão, na sexta-feira (28); além de oficinas nas duas manhãs.
E o festival se encerra onde começou: a Praça da Várzea recebe, no sábado (29), Lérygou: Princesa do Pitiú, da paraense Assucena Pereira; e a Varieté de Encerramento, com participação de oito artistas e coletivos circenses. Ambos os espetáculos são às 17 horas. O projeto é idealizado por Flávio Santana. “Realizar o festival no mês da Consciência Negra é reafirmar que a presença negra na arte circense sempre existiu e segue viva. Queremos que crianças e jovens se reconheçam no picadeiro e compreendam que a cultura é um direito de todos”, diz Santana, que reforça a importância da descentralização das apresentações.
O Festival Circo Preto se propõe a recuperar a memória que não ganhou visibilidade na “história oficial”, colocando os holofotes sobre os artistas negros que mantiveram os picadeiros itinerantes Brasil afora durante o século 20. Com o mote negritude no centro do picadeiro, o festival destaca o talento destes coletivos, trupes e artistas negros na cena atual e sua contribuição para a cultura popular, com acrobacias, palhaçaria e música, destacando as estéticas negras contemporâneas. O evento é apoiado com recursos públicos federais, através da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), através de seleção da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.
