A China exigiu nesta terça-feira (19) que o Japão retire declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, alertando que tomará “contramedidas severas e resolutas” caso Tóquio não se retrate ou “continue sua trajetória errônea”, segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, em coletiva de imprensa.
Segundo a porta-voz, as declarações de Takaichi “danificaram profundamente a base política das relações China-Japão e despertaram indignação pública e condenação do povo chinês”.
A crise diplomática surgiu após a primeira-ministra japonesa afirmar, em resposta parlamentar na primeira semana de novembro, que uma “emergência em Taiwan” poderia constituir uma “situação que ameace a existência do Japão”. Na legislação japonesa, essa classificação específica permite abrir caminho para intervenção militar em defesa de aliados, mesmo sem ataque direto ao Japão.
Uma delegação japonesa esteve em Pequim na terça-feira (18) para tentar conter a crise, mas não houve avanços significativos.
A agência de notícias Kyodo informou que o governo chinês comunicou ao Japão, por canais diplomáticos formais, sua intenção de suspender importações de pescados japoneses.
Consultada sobre a medida, Mao Ning disse que o Japão “não forneceu os materiais técnicos prometidos” referentes a questões de qualidade e segurança de frutos do mar exportados para a China.
“Gostaria de enfatizar que devido às ações perversas e declarações errôneas da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sobre questões importantes como Taiwan, o povo chinês foi fortemente irritado. Nas circunstâncias atuais, mesmo que pescados japoneses fossem exportados para a China, não haveria mercado”, completou Mao Ning.
China questiona candidatura japonesa ao Conselho de Segurança
Fu Cong, representante permanente da China nas Nações Unidas, também reagiu às declarações da chefa de governo japonesa. Fu disse que a fala de Takaichi sobre Taiwan “representam uma interferência grosseira nos assuntos internos da China e uma violação séria do princípio de uma só China e do espírito dos quatro documentos políticos entre China e Japão”, segundo a CCTV.
“Tais declarações desafiam a justiça internacional, minam a ordem internacional do pós-guerra, atropelam as normas básicas que regem as relações internacionais e representam um afastamento flagrante do compromisso básico do Japão com o caminho do desenvolvimento pacífico”, afirmou Fu Cong. “Tal país é totalmente desqualificado para buscar um assento permanente no Conselho de Segurança”.
O diplomata chinês advertiu ainda que qualquer tentativa de intervenção armada japonesa no Estreito de Taiwan seria considerada “ato de agressão” e enfrentaria “resposta firme da China”. “Vamos exercer firmemente nosso direito de autodefesa sob a Carta da ONU e o direito internacional e defenderemos resolutamente a soberania e integridade territorial da China”, disse Fu Cong.
Gabinete de Assuntos de Taiwan reforça posição sobre “interferência estrangeira”
Zhu Fenglian, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, também se pronunciou sobre o caso, afirmou que a China espera que “as amplas massas de compatriotas taiwaneses reconheçam plenamente o perigo e a nocividade das graves ações do Japão, e trabalhem conosco para resolutamente acabar com todos os atos separatistas de independência de Taiwan e de interferência estrangeira”.
Apesar de múltiplas representações diplomáticas chinesas, o governo japonês não retrocedeu nas declarações de Takaichi até o momento.
