O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou nesta quarta-feira (19) o escândalo de corrupção na Ucrânia que recentemente veio à tona, envolvendo figuras próximas ao presidente Volodymyr Zelensky. De acordo com Peskov, a crise política no governo ucraniano gera um “desconforto” para a Europa.
“Parece que eles [os países europeus] estão claramente sentindo um grande desconforto. Atualmente, estamos vendo muita agitação em torno dessa questão. Bem, veremos como a situação se desenvolve”, disse Peskov a repórteres.
O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) relataram a descoberta de um esquema de corrupção em larga escala na empresa estatal ucraniana de geração de energia nuclear, Energoatom. Segundo os investigadores, a empresa era controlada por um grupo organizado que exigia propinas de 10% a 15% dos contratos concedidos aos contratados.
O porta-voz do Kremlin afirmou que os europeus têm motivos para se preocupar com a eclosão do escândalo, na medida em que, segundo ele, o esquema de corrupção envolva dinheiro estrangeiro.
“Neste caso, é improvável que seja um assunto interno da Ucrânia. Você pode perguntar: ‘Por quê?’ O dinheiro é externo. O roubo é interno, mas o dinheiro é externo. E, claro, para os europeus, dificilmente é um assunto interno da Ucrânia, nem para os contribuintes europeus, nem para os americanos”, disse Peskov.
Já a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou que a União Europeia tinha conhecimento do nível de corrupção na Ucrânia e também estava envolvida em esquemas de desvio de verbas no setor energético do país.
“Eles não poderiam desconhecer o destino desse dinheiro. Estavam perfeitamente cientes, pois faziam parte do esquema”, disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores russo.
A diplomata acrescentou que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em particular, não poderia ter ilusões sobre a situação de corrupção na Ucrânia.
Crise expõe Zelensky
Em 11 de novembro, o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) acusou sete membros de um grupo criminoso suspeitos de lavagem de aproximadamente US$ 100 milhões no setor energético do país. As buscas da operação incluíram as casas do empresário ucraniano Timur Mindich, do Ministro da Justiça, Herman Galushchenko, e nas instalações da empresa Energoatom.
A investigação aponta Timur Mindich como figura central do grande esquema de corrupção. Ele é tido como um aliado próximo ao presidente Volodymyr Zelensky. O empresário deixou o país algumas horas antes da operação dos órgãos anticorrupção.
Posteriormente o órgão NABU informou que segundo a investigação pré-processual, entre janeiro e fevereiro de 2025, Timur Mindich, “aproveitando-se da situação que se desenvolveu na Ucrânia durante a lei marcial, de seus laços de amizade com V.A. Zelensky e de suas conexões com altos funcionários do governo […] para satisfazer suas próprias necessidades, decidiu enriquecer-se ilegalmente cometendo crimes em diversos setores da economia ucraniana.”
Já o o ministro da Justiça Herman Galushchenko foi afastado de suas funções e Lyudmyla Sugak, anteriormente vice-ministra para a Integração Europeia, foi nomeada para o seu lugar.
