Na tarde desta quinta-feira (20), feriado do Dia da Consciência Negra, centenas de militantes, ativistas e apoiadores da luta antirracista devem se somar à Marcha da Consciência Negra, que caminhará pelas ruas do centro do Recife. A manifestação se concentra a partir das 14 horas, na praça do Marco Zero, no bairro do Recife Antigo. Atrações culturais se apresentam tanto na concentração, quanto durante o trajeto de 1,5 quilômetro até o monumento a Zumbi dos Palmares, no Pátio do Carmo, bairro de Santo Antônio.
A caminhada tem como lema a luta por reparação histórica, pelo bem viver e pelo fim da violência estatal perpetuada desde o período escravocrata contra o povo negro. A militante Ingrid Assunção, integrante da Marcha das Mulheres Negras, explica que “reparação e bem viver são parte do projeto político que a população negra apresenta para a sociedade, propondo acesso à saúde, educação, segurança e cultura, para que a vida seja melhor para todo mundo”, diz ela. “Este feriado marca a trajetória de luta e resistência da população negra brasileira”, completa Assunção.
Lílian Araújo, militante do Levante Popular da Juventude, afirma que a data e a manifestação são momentos para “lembrar da importância da juventude negra brasileira, que quer viver e quer ter acesso a direitos e oportunidades, a trabalho digno, a cultura, educação, esporte e lazer”. “O novembro negro é um mês de memória e de luta”, afirma Araújo.
A convocatória do ato realizada pela Articulação Negra de Pernambuco (Anepe) evidencia as mudanças propostas para a sociedade. “Vamos às ruas contra o sistema capitalista, que suga todo o tempo de nossas vidas com a escala 6×1; contra o patriarcado, que oprime as mulheres negras; contra o fardo dos homens negros de serem provedores na miséria e escassez; contra a violência estatal nas periferias”. O texto completa com a avaliação de que “apenas atuando em coletivo e unidos é que podemos fazer valer os nossos direitos”.
Atrações culturais
Na concentração do ato haverá uma batalha de MC’s encabeçada pelo coletivo Pontezinha tem Rap, do Cabo de Santo Agostinho; o grupo Coco da Água Doce, de Paulista; e o Maracatu Real da Várzea, da zona oeste do Recife. Ao longo da caminhada, que deve durar cerca de 30 minutos, se apresentam as batucadas compostas por militantes do Levante Popular da Juventude, do Fórum de Mulheres de Pernambuco e do Grupo Curumim.
A caminhada se encerra a poucos metros do Pátio de São Pedro, onde está acontecendo a AfroFest, evento gratuito com apresentações de grupos de maracatu, afoxé, samba, baile charme, o rap de Mago de Tarso e o brega de Nêga do Babado.
