O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou nesta quinta-feira (20) que pretende colaborar com os Estados Unidos na construção de um plano para encerrar a guerra com a Rússia. Segundo o líder ucraniano, a proposta será discutida diretamente com o presidente Donald Trump “nos próximos dias”.
“Nossas equipes – da Ucrânia e dos EUA – trabalharão nos pontos do plano para acabar com a guerra”, escreveu Zelensky em publicação nas redes sociais. “Estamos prontos para um trabalho construtivo, honesto e rápido.”
De acordo com fontes ouvidas por agências internacionais, o plano, elaborado por aliados de Trump, incluiria exigências como a cessão de parte do território ucraniano e o desarmamento parcial do país – pontos que, se confirmados, representariam uma derrota significativa para Kiev.
Embora o governo ucraniano não tenha comentado diretamente os termos da proposta, Zelensky declarou que apresentou os “princípios fundamentais que são importantes para o nosso povo”.
A Casa Branca informou que representantes dos Estados Unidos já se reuniram com autoridades ucranianas para discutir o plano. O secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff participaram dos encontros. A aproximação diplomática ocorre em um momento em que Washington intensifica sua atuação no conflito.
Reunião na Turquia busca retomar negociações
O gesto de aproximação com Trump vem na mesma semana em que Zelensky viajou à Turquia, onde participou de encontros com representantes dos Estados Unidos. A visita foi anunciada na terça-feira (18) como parte dos esforços para “intensificar as negociações” e buscar soluções para o fim da guerra.
Segundo o presidente ucraniano, as conversas em Istambul também incluíram propostas para restabelecer a troca e repatriação de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia. O enviado presidencial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, esteve presente na reunião de quarta-feira (19).
A Rússia, por sua vez, não participou do encontro, mas afirmou que aguarda os resultados. “Esses contatos estão sendo conduzidos sem a participação russa. Aguardaremos informações sobre o que será discutido em Istambul”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
As negociações entre Kiev e Moscou haviam sido suspensas oficialmente em 11 de novembro, sob alegação de falta de avanços por parte da delegação russa. Com o recuo, as conversas vinham sendo limitadas a questões pontuais, como as trocas de prisioneiros e corpos de soldados, conduzidas no âmbito dos chamados Acordos de Istambul.
Crise política enfraquece governo ucraniano
A tentativa de abrir uma nova frente de negociações ocorre em meio a uma crise interna que abala o governo Zelensky. O Parlamento da Ucrânia demitiu dois ministros na quarta-feira (19), e o governo enfrenta um escândalo de corrupção ligado ao uso de recursos destinados à produção de drones.
Segundo investigações do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (Nabu), um esquema de propinas teria movimentado cerca de US$ 100 milhões dentro da estatal de energia nuclear Energoatom. Um dos principais suspeitos, o empresário Timur Mindych, é apontado como aliado próximo de Zelensky e deixou o país antes das operações.
O caso tem sido explorado por autoridades russas, que afirmam que a corrupção em Kiev é “sistemática” e resultado da influência ocidental. Em coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou o episódio como “mais um abscesso que estourou neste corpo em decomposição do regime de Kiev”.
Europa reage com cautela à proposta
A possível adesão ucraniana a um plano articulado por Trump também gerou reações negativas em países europeus. Fontes diplomáticas apontaram que a ideia de ceder território e desmobilizar forças militares é vista com preocupação entre aliados da Ucrânia no continente.
Já Moscou adotou tom cauteloso ao comentar a nova ofensiva diplomática dos Estados Unidos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que não há “consultas em andamento”, mas reconheceu que há contatos em curso.
“Qualquer acordo de paz precisa tratar das causas profundas do conflito”, declarou Peskov, reiterando a posição do presidente Vladimir Putin, apresentada em cúpula com Trump em agosto.
Com a aproximação do inverno e o avanço lento das tropas russas, a guerra caminha para completar quatro anos. Atualmente, forças de Moscou ocupam cerca de 20% do território ucraniano.
